À Solta na Noite - Crítica no blogue Pedacinho Literário
A Saga dos Predadores da Noite é das minhas colecções favoritas de todos os tempos, dentro do género, e que maior deleite me tem proporcionado descobrir. Adoro as personagens, a dinâmica dos enredos, a intensidade das relações retratadas, o perigo que está constantemente ao virar da esquina e os mistérios que abundam num número incontável de páginas. Sherrilyn Kenyon, a par de tantas outras autoras, conseguiu revolucionar o género paranormal sensual com vampiros sedentos de uma paixão avassaladora e que se apresentam bastante mais complexos e, por vezes, humanos do que primeiramente imaginado. À Solta na Noite não é excepção. Com uma trama impulsiva, selvagem e dominadora, este é um romance que vem novamente dar destaque a outra espécie de predadores - os Predadores do Homem -, que muita curiosidade deixaram num volume passado onde Vane encarnou o papel de personagem principal.
Wren é um híbrido receado e desprezado por muitos, que aprecia o seu espaço e sossego e que preza a independência e solidão que desde cedo angariou para si mesmo. No entanto, tudo muda quando Marguerite "Maggie" Goudeau, juntamente com um grupo de amigos, decide homenagear o recente desaparecimento de Nick no bar favorito deste - e que é, precisamente, onde Wren despende a maior parte das suas horas entre mesas por levantar e copos por lavar. Quando os dois trocam um olhar especulativo, fica claro o peso e importância que terão, daí em diante, na vida um do outro e como se tudo isso não fosse preocupante o suficiente, o amor e a paixão que rapidamente partilharão poderá ser mortífera... tanto para a presa como para o predador.
Um dos pontos mais atraentes neste nono volume da série é, sem sombra de dúvida, o afastamento de todos os problemas e confusões que habitam as vidas comuns dos Predadores da Noite e, principalmente, de Acheron permitindo, desse modo, ao leitor debruçar-se com maior intensidade e devoção numa perspectiva individual de uma espécie divina um pouco diferente e selvagem mas igualmente interessante - os Predadores do Homem. Com À Solta na Noite, o véu sobe uns quantos centímetros mais desvendando alguns pormenores extra que perfazem desta gama de predadores, animais especiais e únicos. Ficamos, então, a conhecer também o modo de funcionamento dos chamados refúgios onde as duas espécies rivais - Arcádios e Katagaria - podem coexistir amigavelmente assim como a forma como os híbridos são vistos na sociedade actual.
Embora tenhamos a presença de algumas personagens já nossas conhecidas, a nível secundário, e que são (ou foram) predadores da noite, a verdade é que a essência feroz que caracteriza a espécie retratada permanece intacta ao longo de toda a narrativa, gradualmente impulsionando o leitor a querer descobrir mais do que perfaz o mundo de tão instáveis animais (e humanos).
A paixão partilhada entre as personagens principais e que involuntariamente impele o leitor a devorar página atrás de página é, como tem vindo a ser habitual, uma das características mais fortes da escrita e enredo de Sherrilyn Kenyon. Com tormentas do passado e inconstâncias sociais e familiares no futuro, Wren e Maggie terão de ultrapassar uma série de obstáculos pessoais - e não só - para conseguirem uma oportunidade de experienciar, em primeira mão, o que é amar verdadeiramente. Serão os medos, as dúvidas e o incontornável "não consigo viver sem ti" que tomarão as rédeas de um autêntico jogo do rato e do gato, isto é, de uma caçada sem fim.
Para finalizar, fica a nota que impulsionará os leitores amantes desta saga e que ainda não se decidiram a ler À Solta na Noite de que, mesmo mudando de cenário e de predadores, a essência do mundo criado por Kenyon e do amor que intensamente enternece e cativa a atenção de quem tem por hábito ler estas páginas, mantém-se, se não mesmo intensifica-se, apelando assim à contínua curiosidade que cada volume inevitavelmente suscita. Fica o "querer saber mais" e o sorriso nos lábios que indica uma leitura agradável, satisfatória e, para alguns - certamente para mim o foi - impulsiva.
Uma excelente saga da Chá das Cinco que, dedicando-se ao feminino, continua a deslumbrar com as suas apostas.






