John Carter - Crítica no Bela Lugosi is Dead

As Edições Saída de Emergência publicam, pela primeira vez em Portugal, o primeiro volume que relata as aventuras de John Carter, no ano em que se comemora o centésimo aniversário da primeira publicação desta obra.

Edgar Rice Burroughs apresenta-nos John Carter como um homem que conheceu durante os seus tempos de juventude. O herói desta trama é, inicialmente, descrito como alguém amistoso, de fácil trato, cativante, inteligente mas também misterioso. É amizade entre os dois que faz com que o veterano de guerra confie alguns dos seus segredos ao autor, que apenas deverão ser dados a conhecer ao público após a sua morte. E é assim que Burroughs fica na posse de um diário onde o Capitão narra as suas grandes e inacreditáveis aventuras.

Depois da guerra-civil americana, Carter vê-se envolvido numa perseguição por parte de um grupo sanguinário de Apaches. Desesperado, encontra refúgio numa caverna que, ao que parece, afasta os seus perseguidores. E é aí que algo de estranho acontece. Carter sente que abandona o seu corpo e, quando dá por si, sabe que já não está no seu planeta, mas em Marte. Perdido e confuso, o protagonista é acolhido por um grupo de temíveis guerreiros que lhe reconhecem a coragem. Com o tempo, Carter consegue absorver aquela nova cultura e vê-se como peça fundamental num jogo político que pode levar ao fim da existência de vida no planeta vermelho.

Com uma escrita simples, rápida e direta, o autor não se prende com grandes floreados ou explicações, o que pode levar, em muitos momentos, a situações demasiado forçadas ou até mesmo previsíveis. John Carter um o herói correto, fiel aos seus valores e que é incapaz de deixar alguém para trás, mesmo que isso signifique o seu sacrifício. Um estereótipo bastante vulgar, onde o leitor deverá ter sempre em mente que se trata de uma narrativa escrita em inícios do século XX.

Contudo, a imaginação do autor é um fator a louvar. Marte surge como um lugar novo, cheio de mistérios e povoado por criaturas diferentes e interessantes. A descrição dos Tharks faz com que seja fácil imaginar a ferocidade da tribo, assim como dos estranhos animais que por ela são dominados. Senhores cruéis que não medem as consequências dos seus atos, fazem lembrar a ganancia humana, sempre atual, que destrói em benefício próprio e sem pensar no futuro.

Dejah Thoris, a bela princesa marciana com fisionomia humana e pele vermelha, é a tradicional donzela em apuros que rouba o coração ao herói. É ela que leva Carter à tomada de certas atitudes que serão relevantes para o futuro do planeta. Longe de ser uma tradicional senhora incapaz de lutar, Thoris está empenhada em lutar pelo seu povo e pela sua casa, nem que para tal tenha de tomar medidas extremas.

Para além da obra do autor, esta publicação possui ainda uma breve análise elaborada por João Seixas, também tradutor da obra, que se debruça sobre o trabalho de Burroughs. Este texto tem o intuito de desvendar a importância de John Carter para a história da ficção científica, assim como os verdadeiros motivos que levaram o autor a criá-lo. Sem qualquer dúvida, trata-se de uma mais-valia para esta edição.

Uma leitura rápida que, apesar de, aparentemente, não possuir grandes motivos que agarrem a leitura, acaba por cativar o leitor graças à rapidez da ação e imaginação do seu ator. Um livro que vai agradar quem aprecia ficção cientifica e quer conhecer um herói antigo mas que, estranhamente, consegue manter-se atual.

Publicado em 29 Março 2012

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