A Águia de Sangue - Crítica Ler y Criticar

Este é o 5º livro da saga e mais um que se lê a grande velocidade. Scarrow mantém os pontos fortes e fracos dos livros anteriores e começa a ser difícil fazer uma análise com algo de novo para dizer, a menos que queira começar a revelar a história.
 
O forte deste livro continua a ser a forma como o autor descreve as batalhas, as tácticas e a vida dos soldados quando estão em território inimigo, esperando o momento para atacar. As batalhas continuam sangrentas e a baixar ligeiramente o ritmo do livro, com o autor a levar-nos a sentir que estamos a ver realmente uma batalha, e é interessante ver que ao fim de cinco livros o autor continua a surpreender com situações diferentes em batalha e tácticas bem explicadas que nunca me deixaram confuso. Existem detalhes muito interessantes e, como sempre, o livro nunca se torna monótono, pois o autor usa sempre uma linguagem acessível e que por vezes até pode parecer demasiado simples nos diálogos usados se tivermos em conta a época em que o enredo está inserido. No entanto penso que é esta simplicidade, em alguns aspetos, que ajudam a tornar o livro viciante.
 
Um aspeto que se nota na saga é a tendência cada vez maior de levar a narrativa para um ponto em que seja possível ver os dois lados da guerra. Nos primeiros livros notava-se que o autor nos restringia a nossa visão apenas ao lado romano, onde Roma é a luz num mundo bárbaro e negro. Mas aos poucos essa visão perde fulgor para dar origem ao conflito de formas de ver a invasão romana, e tal como o leitor começa a receber o ponto de vista dos invadidos, também as personagens principais começam a criar as dúvidas que as levarão a questionar o sentido da invasão e, mesmo que de forma indireta, o autor tenta "vergar" a mentalidade de alguns soldados, dando ao leitor a noção que muitos combatiam porque era a única oportunidade que tinham de ganhar dinheiro, mas que não acreditavam plenamente no que faziam. 
 
Este terá sido, certamente, uma realidade: quantos não terão sido os soldados que lutaram (e ainda hoje lutam) por algo que não acreditam? Este livro explora tal ideia de forma mais direta do que qualquer outro da saga, e acredito que seja algo que continue a evoluir. Em termos de enredo, este é um livro mais focado nas personagens e menos na intriga. Esta é uma estratégia bastante comum nas sagas mais longas, em que o autor leva o livro a criar uma ligação mais forte entre personagem e leitor e neste caso acredito que o consiga, pois foi o que eu senti. 
 
Cato é um excelente personagem, principalmente porque consegue ser o espelho no livro: inteligente e simples. A forma como questiona o que o rodeia, mas sem nunca deixar de executar as ordens que recebe, é a base de toda a saga, a acredito que a sua forma de pensar seja cada vez mais importante nos próximos livros. 
 
Como disse antes, este livro consegue manter a fórmula que me viciou. Até agora, ao fim de cinco livros, raramente Scarrow me espantou com um lance de génio, mas a forma como escreve, e o detalhe que dá a certos aspetos, leva-me a continuar a ler com prazer e a querer saber qual o futuro destes personagens aos quais vamos ganhando ligações. Falar mais deste livro seria revelar pormenores que o leitor deve descobrir por si mesmo numa saga que se lê facilmente e a grande velocidade.
 
Scarrow pode não ser o melhor no género, mas sabe agarrar um leitor a cada livro com truques simples e com um enredo de qualidade constante, e com isso acredito que quem tenha gostado do primeiro livro, leia toda a saga, porque ficar a meio não é opção.
Publicado em 18 Março 2014

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