A Cura de Schopenhauer - Crítica em Silêncios Que Falam

Julius Hertzfeld, um psicoterapeuta distinto, descobre que tem um melanoma grave e apenas alguns meses de vida. Ele decide que a melhor maneira de gastar o seu tempo restante é continuando a exercer o seu trabalho, melhorando o bem-estar emocional dos seus pacientes. Contudo há uma pergunta que lhe corrói o pensamento: «Será que foste realmente, verdadeiramente, útil aos teus pacientes?» É assim que Julius se lembra de Philip Slate, um ex-paciente que, há vinte e cinco anos, cessou abruptamente o seu tratamento. Ele é actualmente (2005) um homem erudito, conhecedor de toda a filosofia, desde a de Epicuro até à mais contemporânea, mas foi nos ensinamentos de Schopenhauer que Philip direcionara todo o seu intelecto. A biblioterapia, um tratamento através dos livros, no caso de Philip, através de obras filosóficas, foi a verdadeira cura para ele. Todavia, essa cura o deixou emocionalmente sozinho, incapaz e sem vontade de se envolver com outra pessoa, e por isso Julius sente-se culpado. Um compromisso é traçado entre os dois, fazendo com que Philip participe numa terapia de grupo que o terapeuta dirige. Frequentando a grupanálise, com pessoas com personalidades heterogéneas, Pam, Rebecca, Tony, Bonnie, Stuart e Gill, Philip terá que relacionar-nos com os outros, mas também se verá no papel de mestre sobre filosofia e terá um papel fundamental para o êxito do tratamento dos colegas com problemas emocionais.
À medida que a história avança Yalom apresenta, em capítulos entrelaçados, a biografia de Arthur Schopenhauer (1788-1860), citando algumas das frases mais profundas do filósofo sobre a psique humana. Aliais, as epígrafes de todos os 41 capítulos são da autoria do pensador.
A Cura de Schopenhauer é um livro bem escrito, o que já é apanágio de Irvin D. Yalom, e entrelaça filosofia e psicologia de uma forma inteligente e impressionante. O romance transmite a dinâmica da psicoterapia de grupo e sem dúvida algumas das passagens devem fazer parte da experiência clínica do psiquiatra-escritor. The Cure Schopenhauer mostra-nos como revisitar e dar um novo sentido aos traumas em vez de fugir deles através do álcool, da alimentação e do medo, e passa a mensagem de que podemos treinar a nossa mente para enfrentar as dificuldades.
Publicado em 23 Maio 2014

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