A Dança dos Dragões - Crítica no blogue D311nh4

E, mais uma vez, lá tenho eu de fazer uma vénia ao autor, que nos premeia com uma escrita fabulosa, diálogos que me fazem sentir junto dos intervenientes e, sobretudo, pelo enredo que se adensa e volteia, e torna a revirar, deixando o leitor em fiapos de tanta incerteza e especulação.
Desta vez, Martin resolveu cortar-nos as pernas de vez, trazendo para a história um novo personagem para baralhar as expetativas. Já contava que aquela "casa" ainda viesse a dar que falar e que não poderia cingir-se apenas àquele personagem, mas nunca pensei que se desenrolasse deste modo. Já devem ter percebido que estou a controlar-me, deveras, para não nomear qualquer spoiler, já por isso, deixo esta parte tão deliciosa para descobrirem por vós mesmos. ;)

Foi refrescante voltar a ver Tyrion, Bran e Jon, sobretudo, o primeiro. Tyrion é aquela personagem tão acinzentada que nunca consigo prever as suas ações. Aliás, se vir bem, não consigo prever as pegadas de ninguém, pois, qual foi o meu espanto ao ver o que o peso da responsabilidade fez a Jon e a força que teve de tomar. Falava-se muito da semelhança de Robb com Ned, mas não consigo deixar de ver a sombra Stark no manto de Jon, seja nas suas atitudes, como nas palavras de um agora adulto.
Bran enveredou por um caminho tão misterioso, mas tão misterioso, que me deu um valente nó. Preciso desmistificar este ambiente onde ele se encontra, os poderes que o cercam e as habilidades recém encontradas.
Senti  falta de Arya e Jaime.

Os livro de Martin saem em português dois a dois, logo, não é de admirar que este volume, apegado na versão original ao título "Os Reinos do Caos", seja mais lento de ação e acontecimentos. Não deixa, porém, de trazer um enorme contributo à história e de nos banhar com surpresas.

É uma história (refiro-me aos livros todos, à história em si) para ser lida com calma e com olho atento, porque nem tudo é o que parece. Há muitas revelações nas entrelinhas, que podem ser atingidas depois, mas que vão sendo anunciadas nos diálogos, às vezes, das personagens que menos parecem relevantes.

Estou, sem dúvida alguma, ansiosa por ver que final será dado a estas personagens, que já me acompanham há imenso tempo e que já fazem parte de mim.

Publicado em 24 Outubro 2012

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