A Esposa Minúscula - Crítica em Morrighan

São muitas as histórias que existem abordando perspectivas do que pode ser o verdadeiro amor. De como se podem superar adversidades, de como muitas vezes se desperdiça tempo e disposição em desentendimentos inúteis e como muitas vezes só se dá o verdadeiro valor às pessoas (não) amadas quando já é tarde demais. Andrew Kaufman, em A Esposa Minúscula, neste pequeno conto, consegue confrontar o seu leitor com todas estas situações e mais algumas. De uma forma muito subtil e provocando o desassossego à medida que se avança nas páginas, o escritor construiu uma história que põe a nu as emoções humanas, pondo à prova valores como a sinceridade e a capacidade de sacrifício. 

 
Começando pelo assalto insólito, continuando pelos estranhos acontecimentos e acabando com a esposa minúscula, Stacey,  a calcular o dia do seu desaparecimento, a narrativa mantém não só o interesse e o entusiasmo do leitor, como injecta alguma dose de adrenalina nas veias. Apesar de rápida, a passagem pelas páginas desta obra deixa uma marca inegável. Torna-se fácil lembrarmo-nos que a rotina faz o hábito, e o hábito o conformismo, o desleixo. Será que damos conta do momento em que deixamos de dar valor à pessoa que mais amamos? Em que damos tudo por garantido e não avaliamos os riscos desse desligar e afastar emocional? 
 
O mais importante para cada pessoa é relativo e algo muito pessoal. Eu talvez consiga dizer o que é que tem mais valor para mim, mas é impensável tentar adivinhar isso para quem quer que me rodeie. A mente humana é um intrincado de ligações e pensamentos, por vezes obscuros e soturnos, difícil de avaliar. Com poucas palavras e de forma simples, Andrew Kaufman soube como abordar estes temas com uma mestria formidável. Gostei muito e recomendo.
Publicado em 14 Maio 2014

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