A Guerra dos Tronos - Crítica no blogue Refém das Letras

Em Winterfell a vida aparenta-se calma. A tranquilidade característica desta região no Norte gelado está prestes a ser ameaçada quando algo estranho acontece nas imediações da Muralha, e a este acontecimento sucede uma visita inesperada com um propósito ainda mais inesperado. Assim se inicia A Guerra dos Tronos, um começo que não deixa dúvidas quanto às atribulações e surpresas que irão decorrer.
O universo em que se localiza esta obra é vasto. Não se cinge a Winterfell, ou às suas personagens. A história espalha-se por um enorme reino, imenso em detalhes o que o torna quase real na nossa imaginação, centralizado em diversos pontos do mapa que detém os seus lordes, homens e mulheres sedentos de poder que constroem as suas intrigas sem sensibilidade a limites. É o reflexo do lema ganhar ou morrer.
Os alvos de toda a tragédia acabam por ser os mais inocentes, aqueles que pretendem levar uma vida sólida e justa, mas que inevitavelmente são envolvidos em esquemas obscuros. Este espírito em que é impossível uma personagem permanecer ausente torna a narrativa tão aliciante que é difícil prever as decisões que tomará ou o futuro que se lhe avistará.
A maior riqueza da narrativa assenta nas personagens. São em tão grande número que é quase impossível recordá-las a todas após só ler o primeiro volume. As relações que se estabelecem entre elas são complexas, e por vezes ainda mais complexas as razões porque estão relacionadas e dependentes umas das outras. Ainda assim, o autor teve o cuidado de nos facilitar a compreensão numa divisão em que cada capítulo é o ponto de vista de uma personagem. E, de facto, é muito agradável ter uma leitura assim.
O nobre Lorde Eddard, uma das figuras fulcrais, e a sua família são quem mais sofrerá com toda a reviravolta. Ele, cujo carácter puro, leal e inquestionavelmente racional não encara a mudança com bons olhos, muito menos tenciona rever-se nela. Todavia, poderá ser ele a única salvação do reino, por muitos custos que será obrigado a enfrentar.
Com ele sofrem Catelyn, a sua mulher, fortemente defensora do que é seu e tão astuta quanto o marido, e os filhos carismáticos cujo papel na história não deixará o leitor indiferente.
Como obra do fantástico, este primeiro volume não me deixou de surpreender por apresentar muito pouco conteúdo relacionado com esta vertente. Na verdade foi mais um dos factos em que Martin foi inteligente pois foi mais importante, numa primeira fase, apresentar ao leitor a frieza deste jogo de intrigas. O poder é a arma que cada um procura, e tenho a certeza que nos restantes volumes haverá espaço para incluir nessa perseguição a magia do fantástico. Estou ansioso para ver como Martin se revelará nesse aspecto.
O fim da obra, que constitui alguns capítulos finais pois, importante de referir, esta é uma obra em que todos os acontecimentos estão encadeados e a qualquer momento se revela algo novo, chega a ser arrepiante, tendo em conta o que se presenciou até ao momento, e gera questões muito mais profundas por resolver. Os preparativos para o conflito estão formalizados e encaixados no espírito de cada habitante de Westeros.
Este volume marca um início verdadeiramente promissor de uma saga que ainda terá muito para surpreender. O seu ritmo contagiante e imparável denota a capacidade de um contador de histórias muito singular, como o género em que se insere tem visto poucos. O estilo de Martin é surpreendente, magistral, impressionante na sua irreverência.
Dito isto, agradeço à Saída de Emergência por nos trazer uma saga tão magnificamente construída.
Sem dúvida que irei continuar a viajar pelos vales e povoados de Westeros, com uma curiosidade ainda maior do que iniciei A Guerra dos Tronos.

Publicado em 29 Junho 2012

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