A Invenção das Asas - Crítica no Estações Literárias

Este livro é baseado na vida de Sarah Grimké, personagem real, que nasceu na Carolina do Sul (EUA) em 1793 e faleceu em 1873, com 81 anos. Uma vida marcada pela luta a favor da abolição da escravatura e pelos direitos das mulheres.
Sarah é oriunda de uma família sulista, abastada, que é dona de imensos escravos. Quando Sarah está a celebrar o seu décimo primeiro aniversário, é-lhe oferecida Hetty Grimké e assim começa a estória com Sarah a questionar-se sobre a vida dos escravos.
Temos na personagem Hetty, a voz dos escravos e como são as suas vidas. Hetty deseja ser livre e tal como a estória que ouve da sua mauma, das pessoas africanas que têm asas e voam, também adorava que isso fosse verdade. É considerada um objecto importante para os Grimké, pelos seus dotes de costureira que herdou da sua mauma. Hetty e mauma conseguem sempre arriscar-se e fazer coisas que estão proibidas, mas nestas pequenas aventuras mostram-nos a condição dos negros numa sociedade que dá apenas poder às pessoas brancas.
Sarah consegue imprimir na sua irmã mais nova, as ideias radicais de que a escravatura tem de ser abolida e Nina (Angelina Grimké), alia-se à irmã e juntas, são imparáveis, apesar do ódio que ganham dos americanos que não querem a abolição.
Sarah e Hetty crescem por caminhos diferentes, mas mantêm a amizade que as unia em crianças. Um marco da infância de Sarah foi ensinar Hetty a escrever, o que era estritamente proibido.
Um livro com um cunho histórico e uma escrita rica, aliada à imaginação da autora e da sua pesquisa, que nos fez descobrir a vida destas mulheres Grimké, que existiram e continuam ainda anónimas a muitos, que lutaram contra a escravatura e fizeram o que puderam numa sociedade fechada não só aos direitos dos negros mas também à emancipação da mulher.
Quando tiverem a oportunidade de ler o livro, vão perceber a ilustração acima, realizada pela talentosa Ana Fonseca. Esta ilustração retrata um momento da vida de mauma e a maneira que encontra para se expressar, já que não sabia ler e escrever.

Publicado em 9 Novembro 2015

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