A Oeste Nada de Novo - Crítica no blogue Livros a Doi2

A Oeste Nada de Novo, é um dos livros mais brutais e depressivos que já tive oportunidade de ler, mas é ao mesmo tempo uma leitura fantástica, que nos leva à reflexão e que faz parte daquele conjunto de obras que, um dia mais tarde, tirarei da estante para voltar a ler.
A obra narra a Primeira Guerra Mundial aos olhos de Paul Bäumer, um soldado alemão de 19 anos. Remarque, ele próprio um combatente nessa guerra, foi perseguido pelo Regime Nazi e viu as suas obras banidas e publicamente queimadas, sendo o livro aqui analisado considerado um acto de traição contra os soldados alemães que combateram na frente.
O livro não transmite nada ao nível de estratégia militar, movimentações políticas ou pretende evocar qualquer acontecimento histórico em particular. O livro é simplesmente sobre o lado humano da guerra.
Com uma escrita directa e alucinante, Remarque descreve-nos todos medos, horrores e dúvidas por que passam os combatentes. A total perda de inocência, as mazelas físicas e psicológicas sofridas por todos os que estiveram na frente de batalha, aqui caracterizadas pelas duas dezenas de alunos de uma turma que um professor chauvinista incitou a alistarem-se.
Não se fala sobre actos heróicos, mas sim de sobrevivência, o matar para não ser morto, entre homens que não desejam ali estar. Homens que noutra circunstância poderiam estar a partilhar uma bebida num bar mas que se matam sem piedade, em obediência a governantes que pacatamente organizam as suas operações longe das trincheiras, dos obuses e das granadas.
O livro, pelas palavras de Remarque descreve uma geração destruída, desde os que perderam a vida aos que sobreviveram aos bombardeamentos. Para os sobreviventes, a brutal perda de inocência, provocada pelos acontecimentos da guerra, torna a sua condição uma muito ténue consolação ao não fazerem parte da lista dos mortos. Fisicamente poderão estar vivos mas a sua identidade ficou esmagada algures num campo de batalha, os sonhos foram destruídos e o passado que não poderá ser o futuro, não passa de um pesadelo daquilo que poderia ter sido mas nunca o será, porque o rapaz que se alistou não é o homem que sai da guerra. O leitor colocando-se na pele de Bäumer questiona-se sobre qual destes destinos será preferível.
A escrita de Remarque, prende de tal maneira que quase conseguimos visualizar o desenrolar da acção pelos olhos do narrador. Cada acto, cada movimento, cada decisão leva-nos a  reflectir no que faríamos se fossemos nós naquela condição.
É preciso estômago para se conseguir ler esta obra, mas para quem o tem, é um livro obrigatório, o qual recomendo vivamente e não consigo apontar qualquer aspecto negativo.

Nota (escala 1 a 10): 8
Publicado em 6 Agosto 2013

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