A Serva do Império - Crítica em As Leituras do Corvo

A vitória de Mara sobre os Minwanabi pode ter-lhe garantido alguma tranquilidade, mas trouxe-lhe também severas inimizades. Para garantir a prosperidade do seu clã, Mara tem de tomar decisões complicadas e assegurar-se da segurança dos que lhe são leais. Isso implica conquistar aliados e manter sobre os seus inimigos o máximo de vigilância possível. Mas se, no que toca à intriga política, Mara consegue ser implacável, é certo que continua a ser também mulher, obrigada pelas circunstâncias a tornar-se líder e estratega, mas com as suas vulnerabilidades, apesar disso. Mais uma vez, Mara tem batalhas a travar e armadilhas a evitar. Mas é possível que o mais constante dos seus apoios venha de onde menos se espera.

Dando continuidade à história iniciada em A Filha do Império, este livro tem, inevitavelmente, muitos pontos em comum com o anterior. E o mais evidente é o já expectável ritmo pausado, com uma vasta componente descritiva em que todos os aspectos de cenário e contexto são explorados. Descrição esta que, apesar de abundante, não se torna repetitiva. E por duas razões. Nos cenários, o percurso de Mara leva-a a novos lugares, pelo que a descrição desses espaços - e do contexto em que surgem - permite expandir a perspectiva global do que caracteriza o império. E nas batalhas, porque permite vislumbrar o crescimento e as vulnerabilidades das várias forças em conflito, o que nunca deixa de ser interessante.

Mas se o mundo é, por si só, vasto e interessante, há muito mais a descobrir para lá destes cenários. A história de Mara, que começou num registo mais pessoal, evoluiu agora para uma bem mais complexa teia de intrigas, em que rivais e aliados definem condições, conspiram e atacam, cada qual com os seus motivos subjacentes e com as necessárias consequências para cada acção. Mas o lado pessoal não se desvanece por completo e é aqui que a presença de uma nova personagem relevante se torna particularmente relevante. Ao colocar Kevin no centro da vida de Mara e dos Acoma, os autores apresentam não só o lado humano da protagonista, mas também uma perspectiva diferente, ao colocar lado a lado as diferenças culturais entre Midkemia e Tsuranuanni. As questões que se colocam a Kevin surgem também perante o leitor, o que permite também uma abordagem mais ampla e equilibrada das duas culturas em colisão.

Ainda um outro pormenor interessante é a forma como este livro se cruza com uma parte da história de outros livros, situando-se temporalmente no tempo da guerra da brecha. Assim sendo, destaca-se a presença ocasional, mas muito relevante, de Milamber, uma figura misteriosa neste livro - mas não tanto para quem tiver lido O Mago - que realça, mais uma vez, as diferenças de perspectiva e mostra alguns acontecimentos relevantes do ponto de vista do outro lado do conflito.

O que fica, então, deste livro é a impressão de uma leitura cativante, ainda que não compulsiva, com um ambiente vasto e interessante e personagens fortes a servir de base a uma história envolvente, rica em bons momentos e que promete muito de bom para o volume que se segue. Recomendo.

Publicado em 2 Abril 2014

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