A Tragédia de Fidel Castro - Crítica de Bela Lugosi is Dead

Fidel Castro é um líder emblemático do século XX. Um revolucionário, político e ditador bastante criticado pelo mundo ocidental e louvado pelos seus defensores que o consideram um herói nacional. João Cerqueira agarrou o desafio de entrar na mente deste homem polémico e o resultado foi A Tragédia de Fidel Castro. Engane-se quem pensa que esta é uma obra biográfica de "El Comandante". Em A Tragédia de Fidel Castro, o leitor encontra uma trama surrealista que procura satirizar diferentes aspectos da sociedade actual, percebendo-se o aviso que é possível encontrar no início que alerta aos leitores mais sensíveis para os conteúdos controversos. Assiste-se ao fosso entre duas forças políticas distintas, caracterizadas pela nação de Fidel Castro e o governo de D. Afonso Henriques. Não, este não é o D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. O leitor terá que ter em atenção que as personagens encontradas ao longo da narrativa são ficcionais. Assim sendo, Deus não é o criador do universo, Cristo não é Jesus crucificado pelos romanos, Fátima é apenas uma mulher comum e nada tem a ver com a santa de mesmo nome, e o Diabo é apenas sedutor e bon vivant irrepreensível, que gosta de jogar com os desejos humanos. Fidel Castro e D. Afonso Henriques estão à beira de travar a guerra final. Delineiam estratégias, estudam o adversário, organizam o seu povo através da propaganda. D. Afonso Henriques não quer que a revolução chegue ao seu país movido pelo capital; "El Comandante" quer submeter quem se opõe à Revolução. Deus tenta decidir se deve enviar o seu filho de volta à terra, ou se é melhor ficar no seu canto a assistir aos acontecimentos. João Cerqueira mostra que possuí uma grande imaginação e um sentido e de humor longe de ser inocente, uma vez que esta não é uma obra com o objectivo único de entreter, mas sim de ridicularizar temas actuais para que o leitor reflicta sobre estes, nomeadamente os contrastes a nível político e a natureza humana. É uma obra muito interessante por conseguir levar o leitor a meditar durante um momento de lazer divertido. Aconselhável a todos os que apreciam uma boa sátira e que não são susceptíveis a questões políticas e religiosas.

Publicado em 17 Julho 2010

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