A Voz - Crítica no blogue Illusionary Pleasure

A voz é uma noveleta no original com sensivelmente 66 páginas em e-book, traduzido pela Saída de Emergência em Fevereiro deste mês. Para quem já leu Belladonna e Sebastian poderão reconhecer neles um mundo bem construído e com muita imaginação. Embora a minha primeira experiência com a Bishop não tenha sido a mais agradável, "A voz" fez com que eu ficasse bem mais animada e me rendesse à escrita e imaginação da autora.

Não sei se foi defeito meu de não ter lido nem o Belladonna, nem o Sebastian e, por conseguinte alguns cenários foram um pouco difíceis de imaginar. Essa é a única crítica que tenho de apontar ao livro/conto.

Bishop já tinha dado sinais de alguns temas mais sensíveis na "Filha de sangue", mas " A voz" tem sobretudo um carácter feminista e uma voz bem mais crítica em relação à opressão feminina. Nahlan é a protagonista que vive num mundo onde as mulheres são violadas/violentadas e forçadas a fazerem o que não desejam.

“. . . I put three drops on her tongue, give her a glob of that mixture we feed her when we aren’t stuffing her with the offerings, then close her up and wait a bit. Once the drug is working, I can spend hours in her mouth, with her tongue lapping and licking. And I know just how far to open the lever for the right tightness.”

Num mundo de opressão, Nahlan luta por alguma justiça, e no Templo das Mágoas, Nahlan consegue libertar-se. Se na Filha de sangue a pedofilia é um tema, aqui a violação das mulheres, aliada à obediência cega aos pais por parte do sexo feminino e não há forma de escapar a este destino.

Honor your parents. Give thanks for them every day. Because an orphan’s life is one of sorrow.

A boca é um símbolo fálico utilizado por Bishop: a Voz tem a boca aberta para receber comida mesmo que não a deseje, tal como Kobrah que é forçada a ter sexo oral drogada. É também pela boca que sai o som, é normal que a Voz seja muda, visto ter a sua boca sempre com bolos. A Voz é o verdadeiro símbolo da opressão: não pode falar (demonstrar os seus sentimentos), é obesa (não pode fugir) e tem de sorrir mesmo sendo prisioneira da terrível aldeia. O que não deixa de ser curioso pensar como é que algo tão doce como bolos que supostamente deviam de alegrar uma pessoa, servem como arma que age contra a Voz.

A Voz pode ser talvez um pouco underrated por parte dos leitores por ser um conto e não um romance, onde muitos julgam que o tema estaria mais desenvolvido, mas, na realidade, Bishop não precisava de mais espaço para o fazer. Nas 128 páginas que compõe a história, sentimos o sofrimento das personagens e a sua luta pela liberdade. Com os seus temas feministas, uma capacidade de contar história fantástica, "A Voz" é um convite maravilhoso de estreia ao resto do mundo de Ephémera do qual fazem parte "Belladonna" e Sebastian".

Publicado em 1 Abril 2013

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