Algo Maligno Vem Aí - Crítica no blogue Ler y Criticar

Este é o 3º livro que leio do autor Ray Bradbury e a qualidade continua presente. Este é um livro fantástico, e no entanto, não será para qualquer leitor.

Com uma escrita rica, quase poética, Bradbury hipnotiza-nos com uma narrativa cheia de significados. Este é talvez o grande trunfo deste livro: a forma como Bradbury escreve. Diferente em muitos aspectos da escrita de outros livros seus, aqui cada frase pode apresentar vários significados, com as mais diversas palavras a serem aquilo que o leitor deseja ler.
Os mais jovens conseguirão imaginar toda a fantasia, toda a magia desta feira do Senhor Dark, enquanto os adultos poderão perceber melhor o significado da luta que este livro é.
E que significados são esses? Eu senti o medo e as inseguranças das personagens, a incerteza e a necessidade de criar algo que perdure, a busca sobre quem realmente somos, a necessidade do jovem rapaz em descobrir algo. Outros, certamente, conseguirão ver estas personagens de forma que a mim me escaparam. 

A história mostra-nos Will e Jim, dois rapazes inseparáveis, e ainda mais importante, dois extremos que se unem e completam. Um impulsivo, outro não. Um ambicioso e sonhador, o outro não... Um atento, o outro não. Numa noite a feira chega. Senhor Dark mostrará aos rapazes, tal como Bradbury nos mostra a nós, as maravilhas e os truques que hipnotizaram gerações, e como se de um próprio truque de ilusionismo, o leitor vê-se embrenhado num mundo de esplendor gráfico e onde cada coisa poderá, ou não, ser o que julgamos... e vemos que o livro é apenas uma extensão da própria história, tal como em O Prestígio, onde o livro é também um truque de magia, tal como os seus acontecimentos.

A história é dada envolta em mistério e narrada como se fosse um simples murmurar, como qualquer história de mistério deve ser contada. As personagens são complexas e provavelmente não terei captado tudo o que Bradbury disse sobre cada uma delas, pois, uma vez mais, a sua narrativa enche-se de belos significados e poderosas metáforas que levará, cada leitor, a completar as próprias personagens com a nossa imaginação.

Mas acima de tudo, este livro é a luta do bem contra o mal, da liberdade contra a imortal opressão, é a luta entre a felicidade e a apatia desprovida de sentimentos. Essa é a luta que cada personagem irá travar enquanto se conhece a ela própria, pois é nos piores momentos que nos conhecemos. É perante os sonhos que vemos o que estamos dispostos a sacrificar, e é ao enfrentar a morte que damos valor à vida. E no fim... este é o livro que nos manda sorrir, que nos obriga a tal, porque apenas assim seremos felizes, e porque apenas assim estaremos realmente vivos. E porque apenas sem ódio poderemos realmente criar um mundo melhor. Esta foi a mensagem que vi neste livro.

Uma verdadeira surpresa pela sua tremenda qualidade, principalmente na prosa de Bradbury, e que agarra qualquer leitor que aprecie tal narrativa, e mesmo não sendo o meu livro favorito do autor, é uma obra marcante.
Como disse, não é um livro para qualquer leitor, pois a forma como Bradbury divaga pelas sensações do ser humano, podem tornar-se um entrave para quem queira um ritmo alto, que este livro não tem. Mas quem gostar da exploração profunda do que nos rodeia e torna humanos, num mundo incrivelmente belo, terá aqui um excelente livro.

Publicado em 17 Outubro 2012

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