Algumas perguntas a Nora Roberts

Sem segredos nem truques nem vaidades, Nora Roberts é uma mulher dedicada ao trabalho, à família, e a viver um dia de cada vez. Admira-se sempre perante a lealdade dos seus fãs e adora que o marido faça o jantar em vez dela. A rainha da literatura romântica é, na verdade, uma mulher com desejos muito simples: escrever e viver a vida ao lado da família.
Em Bookbrowse fizeram-lhe algumas perguntas das quais divulgamos aqui as mais interessantes.

O que fazia antes de se tornar romancista?
Era uma assessora jurídica... bastante má.

Quem a ajudou a desenvolver o seu talento quando era mais jovem? 
Imagino que todos os professores tenham ajudado. Brinco com o facto de ter estado num colégio de freiras, mas o facto é que a disciplina que incutem fica sempre connosco.  Podes ter todo o maravilhoso talento do mundo, mas se não tens a disciplina para te sentares e escreveres numa rotina regular, não vais nem escrever nem publicar livros nenhuns.

Que influência teve a sua família na sua carreira como escritora?
Cresci numa família de leitores. Livros e histórias sempre fizeram parte da minha vida. Sempre adorei ler.

Alcançou tanta coisa como escritora e como mulher de carreira sólida e brilhante. Há algum objetivo que ainda pense que tenha de atingir?
Eu não penso sobre ter objetivos. Tento apenas concentrar-me em escrever o melhor livro que conseguir. 


O que é que acha que é mais difícil sobre o negócio da escrita?
O negócio da escrita — todas as coisas extras que não são a escrita por si só — podem simplesmente ser difíceis porque a maioria de nós prefere sentar-se e fazer apenas isso. Viajar pode ser stressante, inconveniente e cansativo. A escrita é uma alegria, mesmo quando não corre particularmente bem. O simples facto de que somos afortunados o suficiente para ter um emprego que adoramos não é batido por nada. Os dias em que não aguentamos estar longe do teclado são os melhores. Podemo-nos sentar e trabalhar em pijama. Nada pode ser melhor!

Como está a evoluir a sua carreira? Onde se vê daqui a cinco anos? Ou dez anos?
Eu nunca faço isso. Nunca fiz. Porquê olhar para daqui a cinco anos quando o agora é mais importante? Prefiro focar-me no agora — e no livro que escrevo agora — do que imaginar o que pode vir a acontecer. O meu objetivo foi sempre escrever o melhor livro que consigo.

Quão difícil foi estabelecer o teu nome?
Foi um processo gradual. Vender o primeiro livro foi como um milagre. A Silhouette abriu uma porta maravilhosa para mim, e deu-me a oportunidade de escrever, publicar e criar um público que me lesse. Nada disto acontece de um dia
para o outro. O melhor conselho que o meu agente me deu foi: «constrói uma fundação.» E foi isso que tentei fazer — construir uma fundação de histórias credíveis e que entretenham das quais o leitor possa depender.

Pode dizer-nos como é o dia típico da Nora Roberts?
Pareceria, a qualquer um que esteja fora do negócio e ofício da escrita, incrivelmente aborrecido. Sento-me defronte do computador o dia todo. Num dia perfeito, levanto-me e faço algum exercício durante cerca de 40 minutos ou algo assim — porque estou sentada o resto do dia. Habitualmente vou para o escritório por volta das nove, e trabalho cerca de seis a oito horas. E eu escrevo... verifi co o email... escrevo mais um bocado. Depois do jantar, ou dou o dia por terminado ou volto a trabalhar mais um bocado.

Como se prepara mental e fisicamente para escrever um romance?
Para ser sincera, não faço nada de especial. Tenho uma ideia básica na minha cabeça, faço o que quer que seja de investigação que precise — e continuo a fazer investigação ao longo do processo de escrita do livro — e depois sento-me e começo. É só isso. Ah, e tento assegurar-me que há uma boa quantidade de Diet Pepsi em casa. E pretzels ou algo salgado. E chocolate.

Como pode ser tão produtiva com tantas obrigações familiares e domésticas? Como consegue manter um equilíbrio entre casa e trabalho?
A vida é um ato de malabarismo. Se se praticar o suficiente tornas-te mesmo boa a manter as bolas importantes no ar. Este é o meu trabalho. Se fosse médica ou executiva, também estaria a fazer malabarismo. Tenho um ritmo de escrita rápido — isso ajuda. Mas eu trabalho todos os dias — o dia todo.

Como mantém os seus livros frescos e inovadores? 
Não tenho truques nenhuns. Para mim, cada livro é o primeiro livro. É novo para mim, de cada vez que escrevo. Há tantos tipos diferentes de pessoas no mundo, e criar personagens como pessoas reais, misturar essas pessoas em conjunto, cria um conflito diferente de todas as vezes que o faço. Há 88 teclas num piano. Pense nas músicas diferentes que se consegue fazer a partir delas. 

Que personagem, de entre todas as que criou, escolheria como melhor amiga?
São todos muito meus amigos, os melhores. Não conseguiria magoar os sentimentos de ninguém.

Pode-nos contar como é o seu ambiente de trabalho?
Bem, escrevo no meu escritório. O meu marido, que é carpinteiro, acrescentou um terceiro andar à nossa casa. Vivemos no meio de um bosque e no escritório há uma grande janela à frente da minha mesa de trabalho e claraboias. Não vejo nada mais a não ser árvores quando olho lá para fora. Está cheio de luz e é muito espaçoso. É um sítio muito confortável para se trabalhar.

Tem leitores masculinos?
Sim, tenho uma base variada e interessante de leitores masculinos. E desde que os livros de J. D. Robb foram publicados que essa base se expandiu. Recentemente recebi uma carta de um tipo que é camionista e que habitualmente ouve os meus audiolivros quando está a trabalhar. Assegurou-me ser mesmo um TIPO, durão e tal, mas que houve partes de um livro — penso que foi Joias do Sol — que o levaram às lágrimas num stand de camionistas. Adoro isso. Também tenho visto um aumento de  leitores pais com filhas nas minhas sessões de autógrafos. Sempre tive leitoras mães com filhas, e eu adoro saber que os livros, os meus livros, são um elo entre gerações.

Como descreveria o seu fã típico?
Não são nada típicos! Ora têm 13 anos ora são bisavós. Abrangem todas as ocupações, todas as classes, origens e interesses. São extremamente leais. Tomam conta de mim! Quando estou em digressão, costumam trazer-me batatas fritas, chocolate, Diet Coke e outras guloseimas para me darem energia quando estou on the road.

O que é que os aspirantes a escritores devem saber sobre Nora Roberts?
Que ela começou também como uma aspirante a escritora. Nascemos todos do mesmo sonho.
Publicado em 16 Outubro 2015

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