As Gémeas - Crítica em As Leituras do Corvo

Durante a infância, Isolte e Viola viveram em liberdade, num ambiente de pouca disciplina e com todas as oportunidade de descoberta em plena natureza. Nesse tempo, criaram uma amizade com John e Michael, também gémeos, e julgaram que essa ligação duraria para sempre. Mas chegou o dia em que tudo mudou e um acontecimento trágico viria a abalar o rumo das suas vidas. Agora, na vida adulta, as gémeas não podiam ser mais diferentes. Isolte tem um emprego de sucesso, uma relação que caminha para a estabilidade e uma vida aparentemente sem dificuldades. Já Viola, luta há anos contra um distúrbio alimentar e está novamente hospitalizada e sem perspectivas de melhorar. E, mais uma vez, uma mudança ameaça acontecer, para trazer de volta as memórias do passado e aquilo que, cada uma à sua maneira, ambas as irmãs tentaram esquecer.
Conjugando uma boa medida de mistério, com as particularidades de uma vida familiar disfuncional e também com as mudanças ocorridas durante o crescimento e na vida adulta, este é um livro que, apesar de não ser particularmente extenso, acaba por se revelar de uma complexidade inesperada. Por um lado, há temas bastante relevantes a surgir ao longo do enredo, desde a violência doméstica aos distúrbios alimentares. Além disso, ao alternar entre a vida adulta das protagonistas e as suas memórias de infância, cria-se uma dualidade de perspectivas, entre a inocência do passado e a consciência do presente, que, tendo em conta as circunstâncias da vida das gémeas, cria um panorama emocional algo sombrio.
Não se pode considerar, por isso, que se trate de uma leitura viciante. Primeiro, pelo próprio ambiente, em que o percurso das personagens e tudo o que nele existe de invulgar cria uma impressão de perturbação. Além disso, a forma como a autora constrói a história contribui também para dar ao enredo um ritmo pausado, já que, ao oscilar entre o presente e as memórias, e entre a primeira e a terceira pessoas, as revelações surgem de forma muito gradual e sob diferentes perspectivas. Isto tem, é claro, a vantagem de preservar o mistério, ainda que o registo da história se torne um pouco mais denso.
Todo este percurso do crescimento das protagonistas e dos segredos que guardam culmina num final com umas quantas surpresas, mas também com algumas perguntas sem resposta. A impressão que fica é a de uma conclusão algo abrupta, ainda que deixando no ar certas possibilidades para o futuro das gémeas. Neste aspecto, ficam, por isso, sentimentos ambíguos: por um lado, a impressão de uma forma adequada de encerrar a história, por outro, a de que teria sido interessante saber um pouco mais.
A soma de tudo isto é um livro que, não sendo de leitura compulsiva, apresenta, ainda assim, uma boa história, com vários momentos intensos e um conjunto de personagens tão interessantes quanto o ambiente e as circunstâncias que as moldaram. Uma boa leitura, em suma.
Publicado em 19 Junho 2014

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