Como sobreviver aos 10 momentos do ano mais stressantes?

O stress pode ser bom quando nos leva à criatividade e à procura de melhores soluções. Mas é importante aprender a doseá-lo para que os efeitos não sejam negativos.

Ao longo do ano, há momentos que causam mais stress. Por norma, são momentos impostos pela sociedade, pelos seus valores sociais e morais associados. Ora, se o stress pode ter efeitos positivos, é, na maioria das vezes, nefasto para a saúde física e mental e está mesmo na origem de várias doenças, como hipertensão, doenças cardíacas e depressão.

A psicóloga Isa Silvestre escreveu um livro, “Gerir 1 Ano de Stress” (ed. Chá das Cinco) com casos práticos e exemplos do dia-a-dia para garantir 365 dias sem stress e com mais qualidade de vida.

Desafiada pela Renascença, Isa Silvestre explica como contornar o stress "naquelas" alturas do ano.


REGRESSO ÀS AULAS. Costuma ser stressante para os pais, porque há a readaptação à rotina e os filhos começam novos desafios.

Em altura de regresso às aulas, o maior desafio é o nervosismo dos pais e dos filhos, mesmo que o primeiro dia de escola não seja uma novidade. Ano após ano, estas rotinas incontornáveis provocam alterações na rotina familiar.

Estratégias a utilizar:

  • Dormir. O sono é fundamental para garantir o sucesso escolar. Por volta dos seis anos de idade, as crianças devem dormir em média 11 horas por dia; aos 12 anos, o tempo médio é de nove horas por dia.
  • Quando a criança é pequena e vai pela primeira vez à escola, os pais devem fazer uma visita prévia à escola para que a criança conheça o espaço, os educadores ou professores e se sinta mais confiante.
  • Participar nas actividades da escola e ser pontual ao longo do ano lectivo também é importante, bem como instituir um momento em casa em que os pais conversam com os filhos sobre o que aconteceu ao longo do dia.

Como pode a ansiedade afectar o desempenho de um estudante e como ultrapassá-la? A ansiedade só se torna um problema quando provoca sofrimento e é disfuncional, prejudicando o dia-a-dia da pessoa. Por exemplo, um estudante que tem medo de ter nota negativa nos exames e de reprovar de ano começa a manifestar pensamentos negativos sobre os resultados: “vou ter uma péssima nota”, “vou desiludir os meus pais e os meus professores”, “vão deixar de confiar em mim”.

No dia do exame, o aluno fica tão nervoso que não consegue terminar a prova a tempo.

Em níveis normais, a ansiedade é benéfica e positiva para a motivação e eficácia do estudo. O aluno deverá, pois, assumir a situação de ansiedade como natural e começar a estudar o mais cedo possível.

É, ao mesmo tempo, fundamental que mantenha um estilo de vida saudável, dormindo o suficiente, tendo uma boa alimentação, fazendo exercício físico e reservando algum tempo para não fazer nada sem se sentir culpado. É ainda essencial manter interacções sociais e preparar-se convenientemente para os testes e/ou exames.

Se a ansiedade parece nunca desaparecer e se mantém durante longos períodos de tempo, sendo excessiva e/ou manifestando-se em situações em que a ameaça é mesmo imaginária, a criança/jovem deve procurar acompanhamento psicológico.

FÉRIAS. Fazem bem ou causam stress e ansiedade?

As férias podem ser encaradas como períodos de verdadeiro descanso e relaxamento, mas podem constituir momentos de tensão e fonte de stress. Exemplo disso são os últimos dias de trabalho, em que se quer deixar tudo organizado. Mas também a organização das férias: as reservas, a escolha da roupa, o que ainda se tem de comprar para que nada falhe.

A verdade é que todos precisamos de férias e as queremos desfrutar. Para que o organismo não seja submetido a alterações bruscas e repentinas, é importante que se mantenha activo antes e durante as férias, que exigem um maior esforço de adaptação aos ritmos de sono e de alimentação, entre outros.

REGRESSO AO TRABALHO. Que regras para evitar o “burnout”?

Um estudo da Organização Mundial de Saúde colocou o “burnout” como uma das principais doenças dos europeus e norte-americanos, ao lado da diabetes e das doenças cardiovasculares. Apesar de estar intimamente ligado à vida profissional, não são só os trabalhadores que sofrem deste mal – estudantes e desempregados também podem ser afectados por causa de preocupações e nervosismo.

Os conselhos para evitar esta síndrome, básicos mas muitas vezes descurados, já os ouviu e leu: dormir bem e fazer uma dieta alimentar adequada.

Mas não só: também é importante ter horas de relaxamento e de diversão. Na maioria das vezes, as pessoas investem muita energia no trabalho em detrimento de outros aspectos da vida, como a família, os amigos, as relações amorosas e o lazer. Este desequilíbrio acaba por prejudicar a qualidade de vida e o bem-estar individual.

O segredo está em a pessoa conseguir compensar os momentos de stress com momentos de prazer e diversão.

DIAS FESTIVOS. Há festas que nos deixam de cabelos em pé!

Nem sempre a organização de festas de aniversário, de Natal ou Páscoa trazem paz e harmonia, já que implicam muitos afazeres e compromissos.

De acordo com o dia festivo, variam os custos financeiros, o número de pessoas envolvidas, as expectativas e as ideias criadas em torno do dia. Os convidados também influenciam, bem como as relações entre os elementos familiares ou os convidados.

Muitas destas festas acabam por ser rituais, algo muito importante na manutenção das relações familiares e sociais e, por isso, também relevantes na construção do “eu social”.

ANIVERSÁRIOS. Como lidar com tantos “parabéns” e a pressão da felicidade?

Um “simples” dia de aniversário está, por norma, sobrecarregado de um grande stress para que tudo corresponda ao idealizado pelo próprio aniversariante ou pelos outros.

O calendário exerce uma grande influência na maior parte das pessoas pelas normas sociais a ele ligadas.

No seu dia faça algo por si: comer um gelado, comprar a refeição ou ir ao restaurante de que tanto gosta; fazer simplesmente o que lhe apetece sem ter horários a cumprir.

O importante é concretizar algo que vai realmente fazer com que se sinta feliz, pois isso irá ajudá-lo a lidar com os “parabéns” e a pressão de ter que estar feliz no seu dia de aniversário.

NATAL. Como viver a época sem ansiedades, seja adulto ou criança?

A forma como encaramos o Natal está relacionada com as nossas crenças religiosas, o modo como vivemos a época enquanto crianças e com as experiências de estar em família.

Por isso, há pessoas que vivem esta época com paz e alegria, enquanto outras vivem com ansiedade, deprimidas ou sem lhe atribuir qualquer significado.

A questão que se impõe é: “Que significado tem o Natal para mim?” “O que é mais importante nesta altura?”

A cultura do hiperconsumismo e das sensações imediatas roubou a nossa capacidade de relaxar nesta época, pelo que se torna importante substituir a importância material/física dos presentes pelo valor emocional, onde vale mais estar com aqueles de quem mais gostamos.

Em relação às crianças, é comum os pais colocarem as seguintes dúvidas: devo incentivar o meu filho a acreditar no Pai Natal? Quando devemos dizer que ele não existe?

Isa Silvestre não tem dúvidas quanto à primeira resposta: acredito no Pai Natal. Mas não há uma idade exacta para dizer que ele não existe. Normalmente, as crianças vão descobrindo por elas próprias e com os pares, na escola. Não devem ser confrontadas bruscamente pelos adultos com a realidade.

Na lista ao Pai Natal, não existe um número limite de pedidos, mas depende do número de pessoas que oferecem presentes. O importante é transmitirmos aos mais pequenos que a pessoa que oferece está a ter um gesto de amizade e de amor (por exemplo: receber um par de meias quentinhas ou uma deliciosa caixa e chocolates).

LUTO. É normal sentir raiva?

Com a perda significativa de uma pessoa, desenrola-se um processo necessário e fundamental para que o vazio deixado possa voltar a ser preenchido com o tempo. Esse processo é denominado de luto e consiste numa adaptação à perda, envolvendo uma série de fases.

A raiva é um dos sentimentos mais confusos para o sobrevivente, estando na raiz de muitos problemas no processo de sofrimento. Advém de duas fontes: da sensação de frustração por não haver nada que se pudesse fazer para prevenir a morte e de um tipo de experiência regressiva que ocorre após a perda de alguém próximo, em que a pessoa se sente indefesa, incapaz de existir sem o outro e experimenta a raiva que acompanha estes sentimentos de ansiedade.

Por vezes, desloca-se erradamente a raiva para outras pessoas, culpabilizando-as pela morte do ente querido, ou direccionamo-la contra o próprio, podendo, no extremo, desenvolver comportamentos suicidas.

Após a morte de uma pessoa querida, é importante que se concretize uma série de etapas para que se restabeleça o equilíbrio emocional. Todas elas requerem esforço.

SMARTPHONE. Não vivo sem ele. Como gerir a dependência das redes e das mensagens?

Os telemóveis são hoje um mecanismo fundamental de interacção social. Por certo já se deparou com amigos a distanciarem-se da conversa para enviar mais uma SMS, ler um e-mail ou para responder a um dos amigos que está online numa das várias aplicações de conversação.

Estudos internacionais recentes revelam que mais de metade da população receia ficar sem telemóvel. Quando falamos de jovens, os pais conseguem ter algum controlo em relação ao tempo que passam no “smartphone” ou no computador, mas os adultos têm de passar por um processo interno, de tomada de consciência, para quererem mudar qualquer comportamento menos positivo e que, certamente, tem repercussões negativas nas suas relações interpessoais e profissionais.

Nestes casos, os amigos e a família são fundamentais para evidenciar ou demonstrar à pessoa que pode estar a ficar dependente do telemóvel ou das redes sociais.

PASSAR À ACÇÃO. Como reunir forças para deixar de adiar algo que sabemos que temos de fazer mas não queremos?

A motivação é o motor da acção. A automotivação é algo que nasce de dentro para fora de nós. As principais técnicas que nos auxiliam nisso são a capacidade de nos focarmos nos resultados, no ponto ao qual queremos chegar, e administrar bem o nosso tempo.

Investigadores da Universidade de Nova Iorque concluíram que as pessoas que utilizavam a “estratégia auto-regulatória de Contraste Mental” estão duas vezes mais predispostas a realizar as resoluções de Ano Novo, por exemplo.

Esta técnica permite que a pessoa identifique um objectivo claro e os motivos que a levem a querer cumpri-lo. Depois, é feita uma reflexão sobre os possíveis obstáculos que pode encontrar pelo caminho.

A técnica possibilita ainda que a pessoa tenha um conjunto de estratégias pré-definidas para fazer face aos obstáculos que surjam até à concretização do seu objectivo. 

Publicado em 11 Novembro 2016

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