Da Direita à Esquerda - Na revista Sábado

O livro do historiador António Araújo é uma análise dos últimos trinta anos da sociedade portuguesa

O Estado Novo caiu em 1974, mas seria preciso esperar dez anos para a poeira assentar. Nos anos 1980 já não havia censura nem guerra colonial, mas, dos dois lados da barricada, o quadro mental tinha cristalizado no baile Patiño. Dito de outro modo, os eighties foram a nossa década prodigiosa. Muito se tem escrito sobre esses anos, mas só agora chegou às livrarias uma síntese coerente do que eles representaram.

Da Direita à Esquerda, do historiador António Araújo (n. 1966), analisa os últimos trinta anos da sociedade portuguesa a partir da verificação de que a Esquerda, "mesmo quando se apresenta como radical, parece agora mais reconciliada com a estrutura de classes e de elementos de diferenciação de status…" Ironia e fair play com toda a gente citada pelo nome. Certos "perfis" denotam pouca (ou nenhuma) empatia, mas ninguém pode queixar-se de assassínio de carácter.

Escrita limpa e persuasiva. O espectro de temas é vasto: neoconservadorismo, imprensa, edição, lifestyle, memórias ultramarinas, linguagem abrasiva, Cultura, intelectuais, gentrificação, redes sociais, o Povo, "bricolage religioso", etc. Cento e vinte páginas de notas enquadram a narrativa. Inclui índice remissivo. Não há bonecada nem grafismo BD.

Crítica de Eduardo Pitta
Nota: 4 estrelas

Publicado em 26 Janeiro 2017

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