Desculpe Sr. Nobel - Crítica em As Leituras do Corvo

A morte de Thomas Moonland, um dos escritores apontados como grandes candidatos ao Nobel da Literatura, leva a jornalista Joana Cabral Cid até Estocolmo para investigar as circunstâncias do crime. Mas o que a espera é uma verdadeira aventura. Não só a investigação assume contornos algo nebulosos, despertando suspeitas entre os vários intervenientes, como tudo aponta para que a própria Joana possa estar em perigo. Sem saber ao certo em quem confiar, Joana vai conhecendo novas pessoas e encontrando figuras do passado. E, através deles, vai descobrindo segredos que a aproximam da verdade. Mas, quando tudo for revelado e o mistério estiver resolvido, talvez haja outro objectivo na vida de Joana. E de mais alguém que terá cruzado o seu caminho...

Cruzando mistério e romance numa história quase com ambiente de policial nórdico, este é um livro em que a investigação policial é apenas uma parte de um enredo mais vasto. A morte de Thomas Moonland parece estar no centro de tudo e é, de facto, o ponto de partida para uma teia de segredos, mas muitas das personagens têm também algo mais para descobrir. Joana, em particular, tem à sua espera todo um percurso de mudanças, sendo sua a história de amor  - e, em certa medida, de regeneração - que acaba por complementar o mistério.

Um dos aspectos mais cativantes deste livro é a escrita. O estilo muito próprio que a autora tem de dar voz à sua história, com momentos de introspecção e de poesia, mas sem perder de vista os acontecimentos, acrescentam algo de diferente à narrativa, mas sem que esta se torna demasiado densa. Além disso, num enredo em que os motivos para os comportamentos das personagens nem sempre são totalmente claros, as considerações a eles associadas acrescentam um pouco mais de clareza a um cenário que, durante grande parte da história, permanece envolto em mistério.

Esta aura enigmática tem uma contrapartida. É que, principalmente na fase inicial, não é propriamente fácil compreender o que move as personagens e de que lado estão. Isto, principalmente no que diz respeito aos representantes da autoridade, cria, a princípio, a impressão de uma acção algo questionável, ainda que, por outro lado, permita também ao leitor compreender melhor a confusão de Joana. O resultado é, inevitavelmente, um início mais pausado, mas que, à medida que as coisas começam a fazer sentido, dá lugar a uma maior envolvência.

Também no aspecto emocional há um percurso similar. Há momentos, na fase inicial, em que é difícil compreender o que as personagens realmente sentem nas situações em que se colocam, mas, com o evoluir da narrativa, tudo começa a fazer sentido, principalmente quando o mistério e a tensão abrem espaço para o desenvolvimento do romance e das amizades.

A soma de tudo isto é um livro que, não sendo de leitura compulsiva, acaba por se entranhar na memória do leitor, com a sua história intrigante, a fluidez da escrita e o bom equilíbrio entre mistério e emoção. Uma boa leitura, em suma.
Publicado em 25 Setembro 2014

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