Dragões de uma Noite de Inverno - Crítica no Blogue Livros a Doi2

Após a leitura do primeiro livro das Crónicas de Dragonlance fiquei sedento da sua continuação.
 
Ao Outono segue-se o Inverno e tal como a estação este livro é mais frio. Frio não por ser pior, de maneira nenhuma, frio porque é mais evoluído, mais distante e misterioso, perde um pouco da sua animação para um público mais adolescente e amadurece na narrativa e na sua complexidade. É mais adulto.
 
E o que contribui grandemente neste livro para o aumento do mistério, é que ao contrário do anterior, neste, o grupo de aventureiros, ou heróis das crónicas, se vão dispersando no mapa. Assim o desenrolar dos acontecimentos o obriga, e se o mistério aumenta, a dispersão também nos permite conhecer melhor a personalidade de algumas das personagens, menos desenvolvidas anteriormente.

Ao exemplo do livro anterior, a narrativa é enriquecida por momentos verdadeiramente extraordinários e vibrantes, dos quais tenho de destacar a chegada a Silvanesti e aos sonhos ou visões experimentadas por todos os elementos do grupo. Este é para mim o momento mais poderoso da série até ao momento. Tanto gostei que terminei o livro e voltei atrás para o ler novamente.

Mais uma vez o livro vive das suas personagens, que são o ponto forte da série. Continuam a transmitir-nos sentimentos e tornam-nos incapazes de não nos envolvermos com elas nas aventuras e ficarmos indiferentes ao que lhes vai acontecendo.

Somos também premiados com a chegada de novos personagens, alguns de grande importância, servem para criar uma áurea misteriosa no desenvolvimento da narrativa e que certamente terão papeis importantes no futuro. De notar também o reaparecimento de uma das personagens mais divertidas da série e que em parceria com o kender Tass é protagonista de momentos verdadeiramente hilariantes na chegada ao mundo dos gnomos.

Há livros que consideramos demasiado extensos, com excesso de descrições, que muitas vezes nada trazem de positivo à narrativa. Com este livro senti o contrário, estranhei alguns dos saltos que são dados na história, como exemplo, a viagem dos companheiros até ao Castelo de Muralha de Gelo. Toda a viagem e o resultado dela descrito numa canção de duas páginas? Os autores que me desculpem, mas para mim é demasiado curto. Até porque as "canções" irritam-me um bocado, seja aqui ou em "O Senhor dos Anéis". Tendencionalmente leio-as com pouca atenção.

Se no primeiro livro, achei que o final merecia mais umas 20 páginas, penso que este livro, poderia ter perfeitamente mais 150 páginas de descrição dos acontecimentos vividos pelos personagens principais, que só teria a ganhar.
 
E para o fim, o fim. Que final poderoso, de um dramatismo, apesar de espectável, muito bem conseguido e de lágrima ao canto do olho. De salientar que o aspecto romântico cresce bastante neste livro, Caramon e Tika, Tanis e Laurana e Kitiara, Gilthanas e Silvara e Sturm e Alhana. São condimentos que vêm enriquecer a obra.
 
É o amor e a amizade que dão a esperança nos momentos finais do livro e que lembram o leitor que após o Inverno vem a Primavera.

Este livro leva a mesma nota que o anterior, apesar de mais adulto e consistente pecar pelos tais momentos que mereciam maior descrição.

Ahh quase me esquecia, apeteceu-me escrever esta opinião da forma como os gnomos falam mas provavelmentedepoisninguémairialer.

Publicado em 30 Agosto 2013

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