É de Noite que faço as Perguntas - Crítica no blogue Bela Lugosi is Dead

Num país pouco dado à banda desenhada, é sempre um prazer ver um novo projecto nacional chegar às livrarias. Nos últimos anos inclusive, fomos presenteados com obras de grande qualidade. E se temos trabalhos com tanta qualidade, porquê tanta resistência em apostar mais nos autores e artistas nacionais? Talvez porque o público teime em andar de costas voltadas para o que se faz por cá...

É de Noite que Faço as Perguntas nasceu de um convite do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, como objectivo de contar a história da Primeira República Portuguesa através de um álbum de banda desenhada. Inicialmente, o projecto esteve para esteve para ser publicado pela Gradiva, contudo, acabou por ser lançado pela Saída de Emergência, um ano mais tarde.

"Mergulhado num regime autocrático, de natureza indefinida, em meados do século XX, um pai tenta recuperar o filho, caído no seio do partido, escrevendo-lhe as memórias que experimentou nos anos da primeira república: tempo em que o ideal de cidadania era a participação activa e não o recolhimento sob o jugo ditatorial."

Partindo desta premissa, David Soares, expõe cinco histórias em torno da Implantação da República. Histórias que ganham uma outra dimensão através dos desenhos de Richard Câmara (prólogo, epílogo), Jorge Coelho (É só alguém que foi à caça), João Maio Pinto (Oh! A República!), André Coelho (Via polémica) e Daniel Silvestre da Silva (Rerum Novarum).

A escolha dos ilustradores foi feita por David Soares que atribuiu cada um, um capítulo que melhor se adequasse aos estilos dos mesmos. No fim, a conjugação de estilos tão díspares com o argumento de David Soares, resultam de forma fantástica ou como o próprio descreveu, "um álbum revolucionário". "Escrever e desenhar sob convite institucional não tem de ser nenhum obstáculo para o valor artístico de um projecto," - explicou o autor numa entrevista. "É o mais forte álbum de conjunto, ou seja, feito por vários artistas, que tenho visto na banda desenhada portuguesa, o que também é revolucionário."

Em suma, um trabalho ímpar da banda desenhada nacional.
 

Publicado em 17 Novembro 2011

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