Entrevista a Luize Valente no Jornal Correio do Ribatejo

Luize Valente é a autora do livro “Uma praça em Antuérpia”: uma obra que atravessou o Atlântico e aportou em Santarém durante a sua apresentação em território nacional. Neste romance histórico, a autora aborda o judaísmo português e o papel de Aristides de Sousa Mendes durante a perseguição nazi. Nascida no Rio de Janeiro, Luize Valente é escritora, documentalista e jornalista, com mais de 25 anos de experiência em televisão. Formada em Jornalismo, com pós-graduação em Literatura Brasileira, Luize foi sempre uma apaixonada por História, com especial fascínio por temas ligados ao Judaísmo, às raízes judaicas do Brasil e à saga dos judeus de Portugal e aos refugiados em tempos de guerra.

Em que altura da sua vida descobriu a vocação para a escrita?
Desde pequena! Sempre gostei de criar histórias e colocá-las no papel.

Quais são as suas grandes referências literárias?
São tantas! Sou uma leitora ávida. Vou citar algumas que me acompanham até hoje: Eça de Queiroz, Dostoiévsky, Primo Levi, Philip Roth.

Considera que o hábito da leitura pode ser a causa da revelação de muitos talentos literários?
Com certeza! Considero que a melhor escola para um escritor é a leitura!

Onde vai buscar a inspiração para os seus livros?
Como sou uma escritora de romances históricos, busco inspiração na própria História! Crio uma ficção tendo como pano de fundo factos reais e procuro depoimentos de pessoas que viveram a época ou deixaram registros. Procuro “humanizar” a História, dar rosto e corpo a tantos anónimos que se tornaram estatísticas nos livros de História.

 Acredita que um livro pode mudar a vida de uma pessoa? 
Acredito que os livros ajudam e muito para que as pessoas façam transformações em suas vidas. Os livros se tornam terapeutas e amigos!

Como caracteriza o seu mais recente romance “Uma praça em Antuérpia”?
Uma saga familiar, com uma grande história de amor e solidariedade, que tem como pano de fundo um dos períodos mais vergonhosos da história: a Segunda Guerra Mundial. Ao contar a história das gémeas portuguesas Clarice e Olívia – e de suas famílias – durante a guerra, tentei mostrar o drama de milhões de refugiados na época e o papel de indivíduos – como o Cônsul Aristides de Sousa Mendes – que arriscaram a própria segurança para salvar vidas.

Que outros projectos tem na forja? 
Uma peça de teatro chamada “O Mundo Indecifrável” que trata do drama dos refugiados nos dias de hoje através do encontro entre uma sobrevivente do Holocausto e uma refugiada da guerra na Síria. Também tenho um novo livro em andamento, que narra a saga dos judeus húngaros durante a Segunda Guerra Mundial, o nascimento de um bebé no campo de concentração de Auschwitz e a luta para salvá-lo.

Um título para o livro da sua vida? 
Vou pedir emprestado ao Primo Levi, escritor que tanto admiro, o título de um dos livros dele: “Se não agora, quando?”

Viagem? 
Todos os lugares me encantam! Sou uma viajante por natureza… mas adoraria fazer uma viagem no tempo!

Música imprescindível?
Jazz, Música Popular Brasileira e, nos últimos tempos, Fado.

Quais os seus hobbies preferidos? 
Não sou uma pessoa de hobbies! Acho que correr, viajar, ler e ver filmes são minhas actividades preferidas de lazer!

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria? 
Holocausto. Algo que pudesse ter evitado o genocídio nazi.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?
Épico e/ou comédia romântica.

O que mais aprecia nas pessoas? 
Integridade, solidariedade, generosidade, bom humor.

O que mais detesta nelas? 
Hipocrisia, egoísmo, inveja, falta de solidariedade.

Acordo ortográfico. Sim ou não? 
Acho que não. As características ortográficas de cada país de língua portuguesa já se enraizaram e fazem parte da cultura de cada uma destas nações. Vão além da escrita.

Publicado em 15 Janeiro 2016

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