Excalibur - Crítica no Leituras do Fiacha

Já gostava de Bernard Cornwell mas, após a conclusão da leitura desta trilogia, passo a olhar o escritor com outra admiração, compreendo agora porque muitos dos seus admiradores consideram este o seu melhor trabalho. 
 
As qualidades que admiro no escritor, bem como o que tanto me agradou nesta trilogia, no fundo já foram todas elas referidas nos comentários aos primeiros dois volumes que foram comentados aqui no blog: Rei de Inverno e O Inimigo de Deus. De forma resumida, pode-se dizer que é um escritor muito consistente, apresentando um ritmo de escrita mais moderado quando tem de efetuar um enquadramento do enredo, explicar de forma gradual o que está em jogo e mesmo aprofundar o carácter das personagens. Por outro lado imprime um ritmo forte quando tem que de o fazer, em especial quando descreve, aquilo que não vejo ninguém fazer igual, a descrição de combates.

Penso que a maioria de todos nós já lemos algures nomes de personagens como Artur, Morgana, Merlim, Lancelot, Guinevere, Ceinwin, Igraine, Talesin (nenhuma destas a minha preferida na trilogia) e associamos à idade média e em concreto à Idade das Trevas. Cornwell não trouxe de novo, apenas nos presenteou com a sua visão e mestria que lhe é reconhecida, deu vida ao mito arturiano, combinando com perícia a lenda e os factos históricos conhecidos.

Posso afirmar que dos vários livros que li sobre esta época, como As Brumas de Avalon da MBZ, Tapeçaria de Fianovar de Guy Gavriel Kay (um dos meus escritores preferidos) esta trilogia é o melhor que li até hoje, a par do Ciclo Pendragon de Stephen Lawhead.

Para quem goste do período medieval, encontra nesta trilogia, e em particular neste livro, as eternas lutas dos Bretões contra a invasão dos Saxões, lealdades, mortes cruéis, diferenças de ideologias, onde o Cristianismo se opõe ao conhecimento antigo (druidas), personagens muito bem desenvolvidas, intrigas politicas, questões de honra, traições, tudo ingredientes bem desenvolvidos a que se junta uma escrita cativante, com momentos que nos deixam empolgados. Em resumo um enredo complexo e bem desenvolvido. Apenas tenho a apontar, como menos positivo, o desenvolvimento dado a um personagem, que tinha tido um enorme crescimento no volume anterior, que apresentava um enorme potencial e que acaba por sair de cena de forma que não se espera, ainda assim não coloca em causa a forma muito consistente como o escritor encerra esta trilogia.

Do melhor que já li de Romance Histórico, altamente recomendado.
Publicado em 27 Janeiro 2014

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