Filmem este livro: O Dardo de Kushiel!

É um nível de grandeza que se escreve a si mesmo: Guerra dos Tronos encontra-se com As Cinquenta Sombras de Grey. Mas o livro de fantasia de Jacqueline Carey é consideravelmente melhor do que As Cinquenta Sombras de Grey, enquanto desafia Guerra dos Tronos. É uma obra fantástica que rebenta grandemente com tudo aquilo que se considera épico e grita pela adaptação a um filme, ou, melhor ainda, a uma série televisiva.

Tem lugar num mundo igual ao nosso, com os mapas demonstrando um globo similar mas com nomes diferentes. Terre d’Ange é a versão fantástica de França, fundada por Elua, que é basicamente o filho bastardo do Jesus do nosso mundo, e um dos oito anjos que o acompanham. “Love as thou wilt” [ama como quiseres] foi o mote de Elua, e assim as pessoas originárias de Terre d’Ange aceitam todas as formas de amor, sendo que o sexo é mais do que comum, é parte central na sociedade.

A série desenrola-se em torno de Phèdre, treinada como uma cortesã mas de natureza anguissete, ou seja, tem a habilidade de transformar a dor em prazer. Basicamente, é uma masoquista e é recrutada por Lord Delaunnay, que sabe que os seus dons são perfeitos para conseguir segredos na clientela aristocrata. Ao longo do percurso, Phèdre descobre uma conspiração que irá dominar o país.

É muito mais profundo do que parece, tanto que Phèdre tem um nome de azar e um sinal no olho que não a favorece antes de o seu «dom» ressurgir. Torna-se arrogante por causa disso e tal condu-la a uma queda retumbante quando permite que a sádica Melisandre obtenha a informação necessária para subir ao trono. Este é um mundo negro em que duas personagens que vamos aprendendo a gostar são assassinadas pelo «nobre herói» da cidade e Phèdre é vendida como escrava.

É um livro longo (mais de 900 páginas), pelo que resultará melhor adaptado a uma série de televisão. Narrado inteiramente pelo ponto de vista de Phèdre, podemos assistir às complicadas intrigas e jogos políticos e é divertido vermos também a dinâmica das demais culturas. Oh sim, há sexo. E não me refiro ao ato de fazer amor de forma lírica e bela, mas sexo agressivo, gráfico, carnal e brutal – mas é algo que resulta maravilhosamente graças à delicada escrita de Carey. Phédre usa e abusa do seu corpo para conseguir aquilo que quer nas suas viagens, mas observamos também as suas perspetivas intrigantes sobre como ela encara a invasão dos bárbaros à sua terra (um ponto de vista parcial, aliás). É também por isso que resultaria melhor uma adaptação televisiva, dado que obtemos a autenticidade episódica das suas viagens até ao regresso a casa.

Carey em si está aberta a essa possibilidade de vir a surgir uma adaptação para TV, que seria um sucesso na Starz e afins. No meio de toda a política, cambiantes religiosas e uma protagonista fabulosa (e claro, o sexo), este livro clama ardentemente por ser filmado e por mostrar aos fãs de outros temas o quão perversos se podem tornar ao divertirem-se verdadeiramente.

Publicado em 29 Abril 2015

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