Fumo Azul - Crítica no blogue O Sofá dos Livros

Este foi o primeiro livro da Nora Roberts que li. Eu estava à espera de um romance meloso e fiquei surpreendida pela positiva. Este é um thriller bastante interessante, onde Reena, investigadora de incêndios, é perseguida por incendiário.
O prólogo é cativante e marca todo o tom do romance: “O fogo nasceu em calor e fumo e luz. Como uma besta sobrenatural que sai do útero pela força das próprias garras, irrompeu para a vida com uma gargalhada que cresceu num rugido.
E, num único e magnífico instante, mudou tudo.”
A história é bastante cativante com imensos temas. Vemos como um incidente na sua infância pode alterar a sua vida. Reena vê um incêndio consumir o restaurante da família e a partir daí fica fascinada pelo fogo e pelas suas consequências, esforçando-se para atingir o seu objectivo e apanhar incendiários.
Acompanhamos a evolução e crescimento de Reena desde o início da adolescência, gostei particularmente de Nora ter iniciado a narração com a primeira menstruação desta personagem, a qual descreveu de uma forma tão precisa e crua: “Sentiu-se percorrida por uma quente onda de medo quanto viu o sangue nas coxas, estava mesmo a morrer. Os seus ouvidos começaram a palpitar. Quando outra cólica lhe comprimiu a barriga, ela abriu a boca para soltar um grito.” Até se tornar adulta, passando pela perda da virgindade. Acabando por se tornar independente, com uma personalidade bastante vincada.
A dinâmica entre o seu trabalho e a sua grande família italiana acaba por proporcionar momentos divertidos. Com enormes discussões familiares em que todos gritam e ninguém se ouve. A mãe Bianca é uma autêntica mama italiana que gosta de ter todos os seus filhos debaixo da sua asa. Ela foge apenas do estereótipo por ser extremamente bela, ao contrário das matronas que imaginamos, era considerada a mais bela mulher do bairro.
Afastado da trama principal, temos Bo Goodnight. Um homem que numa festa vê Reena do outro lado da sala, tenta falar com ela, mas esta desaparece. Acaba por torná-la numa “Rapariga de Sonho”. E durante treze anos ambos passam a vida a rondarem-se sem nunca se cruzarem. Quando finalmente isto acontece, é como se o fogo que eles tinham acumulado por toda a sua vida entra em erupção.
A escrita de Nora Roberts é forte e não coloca panos quentes. Descreve tudo ao pormenor, inclusive as cenas de sexo (As quais não vou transcrever, por causa da idade dos leitores poder ser inferior a dezoito anos) mas confiem que ela não poupa nada, até nos faz corar em certas partes.
Um livro excelente com profundidade e acção.

Publicado em 15 Fevereiro 2013

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