Highlander - O Domar do Guerreiro - Crítica no blogue As Leituras do Corvo

Gavrael McIllioch renunciou ao lar, à família e ao nome, numa tentativa de fugir ao passado e dominar aquilo em que se transformou na noite em que o território dos seus foi atacado. Perseguido por inimigos implacáveis, adoptou o nome de Grimm Roderick e, quando os seus adversários o encontraram na casa que o acolhera, voltou a partir, deixando para trás tudo quanto amava. Por fim, encontrou a paz possível na casa do seu amigo Açor. Mas não se pode fugir ao passado eternamente. E quando o homem que o acolheu, em tempos, o convoca com três simples palavras - "Vem por Jillian" - , Grimm sabe que tem de responder ao apelo. O regresso é difícil e a razão do chamado é ainda mais estranha. Gibraltar St. Clair chamou três dos melhores homens das highlands para conquistar o coração da sua filha. E, de volta a Caithness, o coração de Grimm anseia, mais uma vez, pelo que não pode ter, mas saber que é correspondido talvez não seja suficiente.
Apesar de vários pontos em comum com o livro anterior, até porque Grimm desempenha um papel importante neste livro, há vários aspectos a separar esta história da de Highlander - Para Além das Brumas. A primeira é, obviamente, a ausência de uma viagem no tempo a ligar os protagonistas. Grimm e Jillian são personagens de um mesmo tempo e com um passado em comum e, por isso, a forma como a relação evolui é bastante diferente. Há, além disso, um maior desenvolvimento do contexto para lá da relação entre os protagonistas. Os inimigos que seguem os passos de Grimm pouco têm a ver, pelo menos a princípio, com a ligação a Jillian, e o mesmo acontece com o lado mais sombrio do seu passado, que começa antes de ele a conhecer. Estes elementos que, desenvolvidos paralelamente ao romance, se lhe associam de forma gradual, tornam a história um pouco mais complexa e bem mais interessante, já que, além de fazerem de Grimm uma personagem bastante mais completa, estão na base de alguns dos momentos mais emotivos.
Mas há um romance, que é, apesar de tudo, o centro do enredo. E o mais interessante aqui é a forma como a relação evolui. O passado que Grimm e Jillian têm em comum fez com que se odiassem mutuamente - ou tentassem. E isto leva a que a primeira fase do reencontro apresente múltiplas querelas, mais ou menos divertidas, por vezes um pouco repetitivas. O início é, por isso, um pouco forçado, já que, apesar de a peculiaridade da situação tornar as coisas divertidas, as discussões tornam-se, por vezes, ligeiramente irritantes.
Tudo muda, contudo, com o evoluir do enredo e da relação e, ultrapassada esta fase, a história torna-se bastante mais cativante. Primeiro, porque cada nova revelação sobre Grimm e a sua natureza acrescenta algo mais ao seu fascínio, além de justificar parte das suas acções. E também porque, ao intensificar a gravidade das circunstâncias, a autora consegue evocar mais emoção, quer devido à intensidade dos acontecimentos, quer à empatia que certos traços e acções das personagens despertam.
Trata-se, por isso, de uma história que, partindo de um início leve e marcado por uma certa estranheza, cedo evolui para um ritmo bem mais cativante, crescendo em intensidade até culminar num final forte e emotivo. Uma boa história, portanto, com personagens interessantes e alguns momentos realmente belos. Gostei.

Publicado em 28 Março 2013

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