Highlander, Para Além das Brumas - Crítica no blogue As Leituras do Corvo

Sidheach Douglas, tratado por todos como Açor, tem a reputação de ser um amante lendário, conquistador de inúmeras mulheres. Mas a sua reputação conquista-lhe também um poderoso inimigo. E, quando um amigo inadvertidamente lhe deseja que o seu caminho se cruze com uma mulher perfeita, mas determinada a recusá-lo, nenhum deles imagina que essa vontade está prestes a tornar-se real. Num tempo diferente, Adrienne de Simone vive uma vida assombrada pelo passado e, por isso, está determinada a odiar todos os homens atraentes. E, quando uma magia desconhecida a transforma para o século XVI, e para um casamento forçado com o infame Açor, Adrienne está determinada a odiá-lo. Mas é possível que a vontade do seu coração seja diferente...
Magia, vingança e muito romance são os elementos essenciais desta história em que uma viagem através do tempo une dois amantes algo improváveis. É o romance entre os protagonistas o foco de todo o enredo e, por isso, não surpreende que quase tudo gire em volta das histórias de Açor e Adrienne - e da relação entre ambos. E é também destas histórias que surgem alguns dos elementos mais interessantes deste livro.
Servindo de base a alguns dos momentos mais marcantes da história está o passado dos protagonistas. Ambos viveram experiências que os marcaram e que condicionaram, em muito, as suas personalidades e formas de pensar. O passado de Adrienne, com a manipulação que lhe destruiu a inocência, justifica grande parte das suas atitudes e o seu inevitável ódio aos homens bonitos. O mesmo acontece com o seu pouco desejado (ou não) marido, cuja história na corte do rei definiu muitas das suas inseguranças e a consequente necessidade de controlo. Estes passados tornam as personagens mais fortes e mais empáticas. Além disso, para lá dos protagonistas, há outras personagens que, mais discretas no papel que desempenham ao longo do enredo, surgem também com muito de cativante, sendo de destacar a discreta história de Lydia e Tavis.
Mas há uma contrapartida para os traços mais vincados da personalidade do casal. Quer devido à dificuldade de confiar de Adrienne, quer na necessidade de controlo do Açor, há entre ambos uma série de mal-entendidos que geram conflitos claramente evitáveis. Conflitos em que momentos menos conseguidos abrem espaço para atitudes irritantes - e algo forçadas - que retiram parte do que torna as personagens cativantes. Momentos que se vão desvanecendo com o evoluir da história e da relação, ainda assim, levando a que a história se torne mais cativante depois de ultrapassadas essas situações de maior estranheza.
Não é muito difícil adivinhar a forma como esta história irá terminar para os protagonistas. Ainda assim, esta relativa previsibilidade não retira a envolvência à história. Até porque, para lá de um romance com altos e baixos, há um outro elemento que torna a história um pouco mais vasta e mais interessante. Trata-se, é claro, da intervenção de Adam e do elemento de ameaça e intriga que a sua presença acrescenta ao romance. Intriga que, cativante por si só, se torna ainda um pouco mais interessante tendo em conta que este é o primeiro livro da série e que a história de Adam será explorada alguns livros mais tarde.
Envolvente e de leitura agradável, trata-se, assim, de um livro que, apesar de alguns momentos mais forçados, principalmente no romance entre os protagonistas, cativa por uma empatia que cresce à medida que as personagens se revelam no seu melhor, bem como pela história de magia e intriga que complementa o romance principal. Uma boa história, portanto, e uma boa leitura.

Publicado em 7 Março 2013

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