Irmãos de Sangue - Crítica no blogue As leituras do Corvo

Por alturas do seu décimo aniversário, Cal, Gage e Fox decidiram passar essa data - pois partilhavam a mesma data e hora de nascimento - na Pedra Pagã. Apesar das lendas associadas ao lugar, tudo o que queriam era um pouco de diversão. Mas, no momento em que decidiram fazer um juramento e tornar-se irmãos de sangue, libertaram um poder demoníaco. A partir daí, de sete em sete anos, sete dias de pesadelo tomam forma em Hawkins Hollow. E, desta vez, a terceira, o demónio parece estar mais forte e a manifestar-se demasiado cedo. Talvez, desta vez, não sobre nada depois da destruição. E é para o impedir que Cal aceita falar com Quinn Black, escritora dedicada ao paranormal, na esperança de que uma nova perspectiva revele detalhes que lhe escaparam.
Parte do que torna este livro cativante é o facto de haver um bom enredo para lá do romance. Na verdade, e ainda que a ligação entre Cal e Quinn tenha, inevitavelmente, um certo protagonismo, a parte romântica da história é apenas uma parte - e, por vezes, secundária - da história, sendo a parte sobrenatural a sobressair. Todos os acontecimentos giram em torno de um elemento sobrenatural e de um gesto que, feito inocentemente, colocou um peso sobre os ombros dos protagonistas. Protagonistas que, pelo menos inicialmente, parecem ser os três amigos, e não o casal que se formará com o decorrer da história.
Um outro aspecto cativante é o ambiente surpreendentemente sombrio. As intervenções do demónio, as visões que perturbam as personagens e, desde logo, o passado que justifica os acontecimentos, têm, todos eles, momentos arrepiantes e perturbadores, conferindo à história um ambiente bastante negro. Isto cria um bom contraste com os momentos mais leves, reforçando a importância das situações simples e divertidas, bem como o crescimento da relação entre Quinn e Cal, que, ao surgir em circunstâncias complicadas, acaba por ter de crescer de forma mais gradual.
Também no que diz respeito às personagens - e aos casais, que são, desde logo, fáceis de identificar - , surge também um agradável contraste de personalidades, evidente principalmente em Cal e Quinn, mas também nos seus amigos. Este contraste fortalece-se, ainda, pelo facto de, habituados a lidar com a situação de Hawkins Hollow desde que eram miúdos, os três amigos carregarem sobre os ombros uma responsabilidade que vai passando, também, aos poucos, para os novos elementos do grupo. Além disso, o temperamento sério de Cal complementa na perfeição a determinação e a teimosia de Quinn.
Sendo o primeiro livro de uma trilogia, ficam, naturalmente, muitas perguntas sem resposta. De algumas delas, como da situação do pai de Gage, fica a impressão de que mais poderia já ter sido dito. Ainda assim, o que fica por dizer contribui também para adensar o mistério e despertar curiosidade para os volumes seguintes, e as respostas já apresentadas insinuam um rumo bastante intrigante para os acontecimentos que se seguirão.
Com um conjunto de personagens carismáticas no centro de um problema sobrenatural, Irmãos de Sangue apresenta uma história envolvente e intrigante, com as medidas certas de romance e mistério e muitas respostas por desvendar. Um bom início, portanto, para uma história que promete ainda muito de bom nos livros que se seguem.

Publicado em 24 Dezembro 2012

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