Jogos Perversos - Crítica no blogue Morrighan

Aquando da saída de As 50 Sombras de Grey em Portugal, houve um boom de publicações de romances eróticos. Apesar de não ter lido essa trilogia tão badalada (não fiz questão e continuo sem fazer, não colocando de parte a hipótese de vir a lê-la), através das parcerias editoriais chegaram-me às mãos um número razoável desse tipo de romance. De todos os que fui lendo, cheguei à conclusão que realmente muitos limitaram-se a apanhar boleia, mas que outros foram autênticas descobertas, tanto em termos de abordagem como de originalidade. Jogos Perversos pertence a esta última categoria pela abordagem da autora.

Esta obra, à primeira vista, pode parecer mais um romance em que existem páginas e páginas de descrições de actos sexuais, com primazia nos conceitos dominador/submissa, mas acaba por ser mais do que isso. Tenho reparado que existem bastantes leitoras (sim, sobretudo mulheres) que dizem que só gente frustrada é que lê deste tipo de romances, que só gente doente mental é que pode gostar de ler sobre uma mulher que se entrega de forma total a um homem permitindo-se ser amarrada, subjugando-se totalmente. Bem, não sei quem e que é mais doente. Sei que este tipo de preconceito é completamente desnecessário.

A protagonista fez-me lembrar precisamente esse tipo de leitoras. Mesmo tendo um programa televisivo sobre sexo, após uma abordagem traumática com um ex, em que expressou a sua vontade de experimentar práticas BDSM e como resposta recebeu insultos e que só podia ser atrasada mental, decidiu reprimir todos esses desejos, convencendo-se de que a prática convencional e tradicional do sexo era-lhe mais do que suficiente. Quando conhece Jack, aos poucos este vai perfurando a sua mente, explorando estes desejos que ela combate tão arduamente e de forma desesperada.

Penso que acima de tudo é sobre isto de que Jogos Perversos é sobre: a desmistificação do que é realmente entregar-se a uma relação em que há uma total liberdade de expressão de desejos sexuais sem que para tal as pessoas se sintam umas perfeitas aberrações por gostarem de mais do que a posição do missionário. É algo que vai acontecendo gradualmente. Apesar de Morgan acabar por se mostrar uma submissa natural, combate essa submissão constantemente, sempre com as palavras do ex-namorado em mente. É a entrega, o ganhar a confiança total do parceiro, e essa confiança ser mútua, que permite que uma relação dominador/submissa funcionar em segurança.

Claro que o enredo tem mais do que sexo. Tem suspense, toques de humor extraordinários, mistério, intriga e perigo. A escrita de Shayla Black agradou-me, a linguagem utilizada é adequada, as personagens principais estão bem construídas e são comuns (nada de passados obscuros e traumas que causaram distúrbios comportamentais, são apenas duas pessoas que se entregam ao seu verdadeiro eu sexual) e a acção passa-se a bom ritmo. Foi o primeiro livro da autora editado em Portugal e certamente ganhou mais uma leitora, quanto mais não seja pela sua audácia e atrevimento em confrontar o leitor tão abertamente sobre estas questões.

Publicado em 10 Setembro 2013

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