Lisboa Triunfante - Crítica no blogue Os Devaneios da Jojo

Lisboa Triunfante é, provavelmente um dos livros mais memoráveis que já li! E um dos mais difíceis de explicar também! Não há convenções, dogmas ou limites para imaginação prodigiosa de David Soares. Há uma cor indefinida nas suas páginas: não é totalmente histórica contudo, também não é totalmente fantástica . As grandes personagens são uma Raposa e um Lagarto, que travam uma batalha intemporal. São duas forças opostas e complementares pois, se ela é a encarnação da imaginação, ele é o destruidor e o arquitecto. Ela é a Trapaceira, manipuladora de tolos e cujos desígnios desconhecemos. A Raposa é astuta, sagaz e muito matreira e, se pensam que estão a salvo com ela estão muito enganados. Como Loki, o deus nórdico da travessura, ela encantam-nos com o seu sorriso malévolo e sedutor e as suas palavras doces e enigmáticas. O Lagarto é o Tentador, o homem verde que, se veste tanto de diabólico como santo. Ambos jogam com a lealdade dos homens, brincando com os seus receios e alimentando os seus sonhos de grandeza. O livro está dividido em vários capítulos numa estrutura pouco habitual no panorama literário porque, eles albergam várias épocas na mesma cidade, Lisboa. Desde o pré-histórico até ao actual, David Soares cobre vários séculos e desfila personagens tão peculiares quanto célebres: Sá de Miranda, Gil Vicente, Frei Gil Valadares e o inquietante Boytac são apenas algumas. Este é outro grande dom do escritor, o de reescrever a enorme história portuguesa, dando sentimentos, carácter e personalidade a figuras tão distantes no tempo que se tornaram mitos. Ídolos de gerações, tornam-se humanos de novo! O fugaz encontro entre Aquilino Ribeiro e Fernando Pessoa é simplesmente delicioso! Naquele instante, parece que tudo pára e nos tornamos em  espectadores privilegiados por assistir a tanto génio. Estas pequenas preciosidades só engrandecem Lisboa Triunfante que também vive muito da extensa pesquisa e da escrita muito "suis generis" de David Soares. Às vezes, é enternecedora, outras é cruel e grotesca, a única certeza é a de que não causa indiferença. É uma espécie de Raposa provocando a mente do leitor... Não é de satisfação fácil para um consumista alheado à qualidade, é audaz e para saborear cada ideia e cada centelha de imaginação do autor. Alicerçado na história, na fantasia, este livro é uma fábula em que uma Raposa e um Lagarto nos fazem ler madrugada adentro, em que surgem Cavaleiros Verdes do mito arturiano e em que descobrimos, finalmente porque existe uma Salta-Pocinhas!

Publicado em 20 Março 2012

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