"Moonspell XX - 20 anos" - Resenha no ruadebaixo.com

O “Twilight” é coisa de vampiros a fingir

Na introdução a “Moonspell XX – 20 Anos”, biografia que assinala os vinte anos de carreira da banda, Fernando Ribeiro – vocalista e fundador – começa por explicar de onde surgiu toda a melancolia e negritude, num país banhado pelo Atlântico e abençoado por um sol que teima em brilhar durante boa parte do ano: tem raízes na tão portuguesa saudade.

O livro, com textos de Fernando Ribeiro e fotografias de Paulo Moreira, conta, na primeira pessoa, o percurso vivido pelos Moonspell ao longo de duas décadas, começando com a gravação de “Under The Moonspell” – um mini DC/EP de 21 minutos -, acompanhando os ensaios numa pequena garagem ou visitando o pequeno armazém/escritório onde vendiam o seu próprio merchandising.

Nestas páginas, onde o preto, o branco e o vermelho são o triângulo cromático, há factos, histórias e revelações, divididos em capítulos baptizados ao sabor da discografia da banda: a difícil gravação de “Wolfheart”, um disso irrepetível e que serviu de arquétipo para os fãs; o fascínio pelos lobos; a incompreensão portuguesa em relação à banda e o ambiente imperfeito para o seu crescimento; o processo criativo; «Vampiria», a canção gótica e  súmula dos Moonspell, onde há camadas de teclado, diferentes vozes, guitarras, visões de lobos, morcegos e nuvens negras; a independência com o investimento num lugar pessoal e intransmissível para ensaiar; o sentimento paternalista que viveram após a gravação de “Wolfheart” e “Irreligious”; a cisão com o baixista fundador, que depois de lhe ter sido mostrada a porta de saída registou em seu nome a banda e marca Moonspell; “Sin”, o disco que serviu para separar águas e que serviu de reinvenção; “The Butterfly Effect”, contraditório até mesmo para a banda; “Darkness and Hope”, um álbum triste, opressivo e que serviu de reconciliação com parte dos fãs que tinham ficado pelo caminho; a relação bicéfala com a editora Century Media; a amizade e o compromisso com o escritor José Luís Peixoto; a parte cénica dos concertos: a criação do gladiador Alpha, o padre da era “Sin” e o mensageiro do “Darkness and Hope”; a recusa de viver na Alemanha; o amor por Portugal.

Mesmo para quem não seja fã dos Moonspell – e este é um livro escrito para os fãs -, o livro oferece a oportunidade de conhecer o percurso de uma banda contada em nome próprio, acompanhando uma travessia que teve muito de deserto mas ainda mais de oásis. O “Twilight” é coisa para vampiros a fingir. Aqui há sangue de verdade.

Publicado em 31 Janeiro 2013

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