Mulher Solteira Procura Vingança - Crítica em As Histórias de Elphaba

Não são raras as vezes em que ouvimos dizer que as mulheres conseguem ser bastante mazinhas umas com as outras, no entanto, se desejarem vê-las unidas, basta que os defeitos masculinos sejam tema de conversa e estarão, certamente, perante um culto coeso e fervoroso a que nem mesmo Ele escapará – aposto que a Suzie Miller, a protagonista deste livro, concorda de se o Criador fosse mulher o mundo estaria bem mais próximo do paraíso.
Feminismos à parte, até porque rir é mesmo uma fonte de cura para boa parte dos males e, lá bem no fundo e independentemente do género, todos procuramos o mesmo – a felicidade – esta obra é efectivamente um cocktail perfeito para a boa disposição sem lamechices ou querubins. Afinal de contas, todos sabemos que as comédias românticas não passam de ficção – ou não!
 
Mulher Solteira Procura Vingança conta-nos, como elucida o próprio título, a história de uma solteirona na casa dos trinta frustrada tanto a nível laboral como afectivo, com o segundo ponto dramático a ter bastante mais relevância que o primeiro. Mas como não há mal que sempre dure, quando Suzie é mais uma vez abandonada de forma desrespeitosa por aquele que, hipoteticamente, seria um príncipe, resta-lhe ouvir os conselhos de um bom amigo e mudar, finalmente, o rumo da sua vida passiva e passar à acção. É chegado o momento de se vingar de todos os que a magoaram e, durante o processo, ver a sua vida ter uma hilariante e inesquecível reviravolta emocional.
 
A premissa, como ficou claro, é bastante simples, já os contornos desde enredo e as suas personagens são algo absolutamente delicioso que, recorrendo a clichés e caricaturas, oferece excelentes momentos de entretenimento.
 
Adorei esta personagem principal, o seu lado sexy e extrovertido em oposição ao dramático, os seus inesperados requintes de malvadez plenos de humor e principalmente a sua evolução final devido à sua cegueira que advém da sede de vingança sobre os maléficos duendes – uma das morais da história. Igualmente atractivo, Drew é extremamente amoroso, um verdadeiro bom samaritano, ainda que sério, e um fiel ombro amigo da conselheira sentimental do momento.
Ambos são figuras de destaque muito comuns deste tipo de ficção, assim como o são todos os outros intervenientes secundários, muito desiguais entre si, que exemplificam na perfeição aquilo que o leitor possa eventualmente procurar no livro.
 
As temáticas e problemáticas abordadas são diversas, existindo assim um pouco de drama para todos os gostos. Desde o casamento de sonho repleto de discussões às traições, passando por homens mulherengos e machistas às amizades de uma vida, esta história tem situações tão descabidas quanto credíveis que complementam e dão brilho a uma divertida narrativa.
 
Tracy Bloom soube criar momentos com qualidade entre as suas páginas, que se lêem de forma fluida devido ao seu discurso simples e aos seus diálogos que primam pelo cariz humorístico inteligente.
Dos sorrisos às lágrimas de forma bastante imprevisível, sempre com descrições espaciais que permitem imaginar a acção, o leitor sente uma rápida empatia pelas personagens e pelas suas questões existenciais.
 
Eu gosto imenso deste género de livros e são a minha primeira escolha quando pretendo descontrair, escapar à realidade e viver ficções que apelem à alegria. Enfim, entre álcool barato e bolas de espelho, máscaras tão previsíveis quanto alguns pensamento menos bons que já tivemos um dia, este livro preencheu-me as medidas.
 

Esta é mais uma boa aposta da colecção Chá das Cinco, Saída de Emergência, que certamente irá agradar às leitoras de Jill Mansell e chick-lit em geral.

Publicado em 22 Julho 2014

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