O Cavaleiro da Morte - Opinião no blogue Notícias de Zallar

Segundo volume de uma série ainda a ser escrita, já com dez publicações, O Cavaleiro da Morte de Bernard Cornwell é um dos romances históricos mais notáveis que já tive a oportunidade de ler, digo eu como quem tenta, por palavras simples, divulgar a grandiosidade deste épico. Uma nota simples que não faz jus à catadupa de vezes que dei por mim a sorrir durante a leitura, perante a maliciosa ironia do autor britânico. Cornwell deixou-me de queixo caído.

Por muito altas que fossem as expectativas, após o primeiro volume, nada me teria preparado para isto. Surpresa atrás de surpresa atrás de surpresa. Mais consistente e linear que O Último Reino, que servira sobretudo para mostrar o crescimento do herói e contextualizá-lo, O Cavaleiro da Morte foi uma teia de acontecimentos genialmente tecida, e a descrição de batalha rigorosa do primeiro volume ganhou textura e tornou-se ainda mais palpável.

O destino é inexorável.

A descrição acima da sinopse relata uma série de acontecimentos muito bem escritos e planeados, que só por si faria deste um livro incrível. Acontece que isso apenas é o princípio de uma história repleta de reviravoltas e de sentimentos à flor da pele. Tenho lido algumas opiniões sobre Bernard Cornwell, unânimes, mas ele não é apenas um excelente contador de histórias ou bom narrador de batalhas. Ele sabe envolver e emocionar. E sabe surpreender.

A Batalha de Ethandum que opôs Alfredo a Guthrum foi real, assim como alguns dos seus protagonistas, embora a maioria dos personagens, incluindo Uthred e Svein, seja meramente ficcional. A falta de recursos históricos induziu no autor a liberdade de criar, e que bem que ele criou, a partir de um acontecimento histórico que marcou a Inglaterra. Loucamente credível, Bernard Cornwell coloca-nos no tabuleiro de jogo, e diverte-se a fazer deslizar as suas peças.

Falar dos personagens exigiria um enorme testamento. Uthred de Bebbanburg, Uthred Uthredson ou Uthred Ragnarson, o nosso protagonista é um verdadeiro idiota. É imberbe, insensato e tolo, mas é impossível não gostar dele, mesmo quando muda de lado à última hora. Também Alfredo é um dos personagens que mais cresceu neste livro. Descrito com credibilidade, é por vezes ainda mais insensato que Uthred, e os dois acabam por ser a consciência um do outro, mesmo quando o que sentem entre eles é desprezo.

Um elenco de personagens incríveis é-nos apresentado com riqueza de detalhes: Leofric, Steapa, Wulfhere, Ragnar, Iseult, Svein, Alewold e tantos ficam ainda por falar. O hilariante Padre Pyrlig, cuja adição foi uma lufada de ar fresco para a narrativa, o pedante AEthelwold que deveria ser rei por direito hereditário, ou os dois Odda, que ganham um papel de destaque em Defnascir. E aqueles que acompanham Uthred desde o início: Brida, a antiga amante de Uthred que agora acompanha Ragnar, tem um papel pequeno mas importantíssimo neste volume, simboliza a fraternidade entre inimigos irmãos e Beocca, que ainda me faz lembrar o Phillip de Os Pilares da Terra com o seu sentido paternal, simboliza o conservadorismo e a misericórdia da Igreja.

Não encontro falhas dignas de destaque neste livro. Deixo, no entanto, uma pequena nota para os pequenos erros de edição, que não prejudicaram a leitura. Aconteceu tropeçar em Leofroc (Leofric) ou Wildrith (Mildrith), como no primeiro volume foi frequente ler tanto Alfred como Alfredo. A nota de autor faz referência a este livro várias vezes como O Cavaleiro Branco, em vez de O Cavaleiro da Morte. Aparte isso, elogio o grande trabalho de tradução e edição, como é apanágio da editora. Que venha o próximo.

Nota: 9/10

Publicado em 10 Outubro 2016

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