O Corsário do Rei - Crítica no blogue As Leituras do Corvo

Nicholas, filho mais novo do Príncipe Arutha, sempre foi um rapaz demasiado prudente. Agora, o seu pai teme que essa característica seja prejudicial a alguém com o estatuto de Príncipe do Reino, pelo que envia Nicky para Crydee, onde deverá servir como escudeiro do Duque. O objectivo é fazer com que Nicky se torne um pouco mais forte e amadureça, mas Arutha está longe de imaginar - mesmo tendo em conta os avisos do estranho Nakor - os perigos e aventuras que esperam o seu filho mais novo. É que a viagem de Nicky irá levá-lo bem mais longe que Crydee, já que um ataque à vila denunciará novos - ou então já conhecidos - inimigos e será necessário agir para salvar os que foram capturados. E defender, também, o futuro do Reino.
Decorrendo alguns anos depois da aventura de Borric e Erland, este livro apresenta-nos um Nicholas bastante diferente do de O Príncipe Herdeiro. Com toda a sua prudência e as inseguranças resultantes do seu defeito no pé, Nicky é, ainda assim, bastante mais sereno e decidido que no passado. E, se as diferenças são já evidentes desde o início, as muitas dificuldades do seu percurso põem em evidência as suas melhores características, bem como a evolução da sua personalidade. O Nicholas do início do livro tem, apesar de tudo, um pouco do rapaz assustado que foi, mas o que regressa é um homem consciente e um líder sensato. Esse crescimento  e a forma como se reflecte no contexto global do enredo é, sem dúvida, a parte mais cativante deste livro.
Mas nem só de Nicky vive esta história e também das restantes personagens há muito de bom a descobrir, sendo de destacar as particularidades e traços especiais dos seus companheiros de viagem e a forma como compensam as fragilidades de Nicholas para dar forma a uma equipa coesa e capaz. Novas personagens aliam-se a figuras já conhecidas que é sempre bom rever e esta conjugação entre a familiaridade e os elementos novos torna a ligação entre as personagens mais forte e mais empática, quer a situação diga respeito ao grande problema que têm em mãos, quer se limite, simplesmente, às vidas pessoais de uma ou várias personagens.
É, portanto, o desenvolvimento das personagens que se destaca. Mas há outros aspectos fortes a referir. Também o enredo tem muito de interessante. A história é contada no habitual ritmo pausado, resultante da abundância de pormenores descritos, mas não há grandes momentos parados. Além disso, ao evoluir de uma jornada essencialmente pessoal, destinada ao crescimento de Nicky, para uma longa e perigosa aventura que implica não só a salvação dos prisioneiros, mas o confronto com um inimigo já conhecida, a história cresce em intensidade, abrindo espaço para vários momentos intensos, que contrastam com a leveza de algumas situações mais divertidas e que  cativam tanto pela relação com acontecimentos de outros livros como pelo seu próprio rumo individual.
Trata-se, assim, de um livro que, tal como os outros do autor, cativa principalmente pelas características das personagens, mas que apresenta também uma boa história, com as medidas certas de tensão e humor. Um livro que não desilude, portanto. Muito bom.

Publicado em 22 Janeiro 2013

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