O Corsário do Rei - Crítica no blogue Ler y Criticar

Após quatro livros da saga O Mago, no qual Feist elevou, e muito, a qualidade da literatura fantástica, o quinto livro (e primeiro desta saga) virou-se para os jogos políticos e intriga de bastidores sempre presente na realeza e nas relações entre nações vizinhas. Este livro, 6º do mundo de Midkemia e 2º da saga Filhos de Krondor, deixou um pouco para trás esta tendência e regressa à fantasia/magia que vimos nos primeiros livros.

Na minha opinião, e olhando para a qualidade do livro como um todo, este livro ainda não está ao nível dos primeiros quatro, mas consegue estar acima do anterior, e porquê? Essencialmente porque consegue ser melhor em tudo o que é essencial a este género literário.

Em primeiro lugar temos as personagens, melhor construídas, com uma relação entre principais e secundárias que tornam o livro fácil e divertido de ser ler. Nicholas, personagem principal (terceiro filho de Arutha), conseguiu convencer-me muito mais do que Borric e Erland no anterior livro, principalmente por se mostrar mais humano, com altos e baixos, coragem e medo, sabedoria e ignorância.
O regresso de Pug é muito bem-vindo e o autor consegue manipular bastante bem as suas ações, por forma a limitar a influência no enredo de um personagem tão poderoso e que faria a história acabar muito mais depressa. Mas é Nakor o grande trunfo deste livro. Ganhando importância, responde a algumas questões que deixara no livro anterior e levanta muitas mais, tornando-se num dos catalisadores do desvendar da trama.

O livro começa com um bom ritmo, abrandando a meio, onde começamos a ver as movimentações de algumas peças, para voltar a acelerar no fim. Feist continua com o seu sentido de humor e diálogos convincentes, e não deixando o leitor perceber tudo o que se passa. Todavia, é notório desde o início, que este livro tem uma maior ligação com a saga O Mago do que tinha o livro anterior (O Príncipe Herdeiro), com o autor a criar mais civilizações, expandindo o seu universo cada vez mais, com coerência e sempre com detalhes que as distinguem entre si.

No entanto, este livro também fica marcado pelo revelar de algumas "leis" da magia presente neste mundo. É verdade que fica muito por explicar, mas temos uma noção suficiente para vermos onde este universo nos pode levar e quais as limitações da fantasia criada por Feist.

Num livro com um bom final e uma trama central bem conseguida, Feist mostra-se mais cruel em relação ao destino das suas personagens (apesar de algumas ainda mostrarem a proteção do autor à sua volta) e também em relação à crueldade presente no mundo. Considerado o grande escritor da fantasia depois de Tolkien, e um dos que mais influenciou o género, Feist consegue mais um grande livro, mesmo não estando ao nível da primeira saga. É divertido, é fantástico e é certamente a rampa de lançamento para a próxima saga (pelo menos é o que o nome SerpentWar indica). Ao fim de seis livros, Feist confirma, cada vez mais, que o seu universo tem de ser lido.

Publicado em 21 Novembro 2012

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