O Dardo de Kushiel - Crítica no blogue D311nh4

Já tem sido habitual a Saída de Emergência nos habituar a obras de fantasia escritas com elevada mestria.
O primeiro volume da original trilogia de Kushiel não foge, de todo, ao parâmetro de qualidade estabelecido. Com efeito, reforço dizendo que este livro eleva as expetativas a nível da tecnicidade implementada.
Com isto enfatizo o vocabulário floreado que remete o leitor a uma leitura atenta e minuciosa.
O léxico é rico e aí também se deve dar o mérito ao tradutor pelo excelente trabalho.
O desenvolvimento da história é lento e centra-se nas lembranças da protagonista/narradora.
Phédre tem um nome amaldiçoado - de facto, o nome remete automaticamente à Fedra grega e à sua dramática história com Teseu e Hipólito (ver AQUI!) - e para além disso tem uma pinta escarlate no olho esquerdo que a diferencia de toda a gente; ela é uma anguissette.
A Terre d'Ange rege-se por uma sociedade inspirada em Eluah, e na sua fiel companheira das tormentas Namah (note-se também a semelhança dos precedentes de Eluah com a história de Jesus crucificado). Eluah tinha a seu lado anjos que o protegiam da ira do Deus Uno. As casas de Terre d'Ange são descendentes dos anjos e do respetivo Eluah e Namah.  Entre esses anjos salientam-se Cassiel e Kushiel, uma vez que a protagonista foi tocada por Kushiel, a inimiga é descendente do mesmo e mais tarde conhecemos uma personagem magnifica que serve a casa de Cassiel.
Como Namah que se deitou com homens para garantir a sobrevivência de Eluah, muitas são as mulheres que crescem para lhe seguir o exemplo, ganhando dinheiro dos seus patronos para tatuar a marca que as elevará a seguidoras de Namah livres.
Phédre, marcada por Kushiel e denominada por anguissette pela elite, recai para o sadomasoquismo, não conseguindo a sua natureza separar a dor do prazer.
É na casa de Delaunay que se instrui na arte de Namah e é através do próprio erudito Delaunay que apreende ensinamentos que a tornarão uma inimiga ao nível da teia de conspirações que a emaranha.
Este primeiro volume foi dividido em dois na língua portuguesa, logo estamos perante um início excessivamente informativo que pode baralhar quanto à quantidade de personagens e nomes referidos.
Não será um livro para todos os gostos e não agradará da mesma forma a todos os géneros de leitores.
"O dardo de Kushiel" é detentor de uma violência sexual enorme e de uma linha de pensamento estranha aos olhos do século XXI. Contudo, é dotado de uma qualidade literária indiscutível e de uma rede de intrigas, que uma vez dentro do prol de personagens, se avizinha apaixonante.

Publicado em 29 Maio 2012

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