O Êxtase de Gabriel - Crítica no As Leituras do Corvo

Depois de todos os problemas e mal-entendidos, Julia e Gabriel parecem ter finalmente aprendido a aceitar aquilo que os une e a viver o amor que sentem, tal como ele é. Mas ao breve paraíso de tranquilidade dos dias passados em Itália surgem novos problemas - e, com eles, a necessidade de sacrificar vontades e desejos por algo de maior. É que tanto Julia como Gabriel têm assuntos mal resolvidos no passado e inimigos que permanecem presentes. E a acção destes adversários irá colocá-los perante uma escolha difícil. Pode não ser simplesmente fugir ou lutar. Mas, independentemente do caminho, é possível que a confiança arduamente conquistada venha a ser, mais uma vez, comprometida. E será o amor mais forte que as tribulações?
Tendo em conta que o final do primeiro volume desta trilogia, e a forma como parecia ser uma conclusão mais que adequada para o percurso dos protagonistas, seria de esperar algo próximo do felizes para sempre. E, sendo assim, previa-se, à partida, alguma repetição relativamente a alguns elementos da história interior. Isso acontece, de facto, na fase inicial da história e de forma pontual, à medida que as mesmas dúvidas e inseguranças voltam a surgir. Ainda assim, e este acaba por ser o primeiro aspecto a surpreender, esta sensação de familiaridade não perturba em nada a envolvência do enredo. Porquê? Primeiro, porque as circunstâncias e o passado das personagens justifica as dúvidas. E depois porque o autor consegue dar a esses momentos toda a emotividade necessária para que, mesmo sendo similares a situações anteriores, tenham, apesar disso, algo de próprio.
Semelhanças à parte, há todo um novo percurso a considerar para os protagonistas. E, mais uma vez, a história continua a ser muito centrada em ambos, pelo que as suas personalidades contrastantes e tudo o que nelas se origina acaba por ser a base de todo o conjunto de tribulações e reconstruções que define as suas histórias. Sendo já familiares, os sentimentos que as personagens despertam continuam a ser os mesmos. Mas há uma notória evolução. Júlia cresce com as dificuldades, tornando-se um pouco menos ingénua e um pouco mais forte. Gabriel mantém o mesmo carisma misterioso e o mesmo interior atormentado, mas revela, a cada novo passo, o homem melhor que consegue ser. E porque ambos evoluem, também a relação evolui. E é esse crescimento, de grandes momentos e de pequenos gestos, que cativa para a história.
Todo este percurso se define, é claro, por uma boa medida de emoção. Principalmente a nível da relação entre os protagonistas, mas também relativamente a elos familiares de amizade, esta é uma história repleta de momentos tocantes. Seja nas palavras trocadas, nos momentos mais simples ou em grandes mudanças, como a de fazer um gesto nobre, mas com as consequências mais cruéis, são muitos os momentos marcantes nesta história, os episódios que, de uma forma ou outra, transmitem para quem lê os sentimentos das personagens. No fim de contas, acaba por ser esse também um dos principais trunfos deste livro - tal como do primeiro. A capacidade de comover.
E assim, o que este livro apresenta é uma história que, mesmo com menos surpresas que no primeiro volume, consegue, ainda assim, reunir muitos dos mesmos pontos fortes, numa história que nunca deixa de ser envolvente e que, a espaços, surpreende, comove... e, por vezes, faz sorrir. Muito, muito bom.
Publicado em 6 Fevereiro 2014

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