O Êxtase de Gabriel - Crítica no Crónicas de uma Leitora

Sylvain Reinard sabe escrever, sabe prender-nos a um livro, sabe deixar-nos a suspirar, sabe arrebatar-nos pelas palavras e foi dessa maneira que me apaixonei pelo primeiro livro desta trilogia, "O Inferno de Gabriel". Por todos esses motivos tinha as expectativas em alta quando fui ler o segundo volume mas confesso que senti-me defraudada quando o terminei. Achei a linha de acontecimentos demasiado idêntica ao segundo livro da saga Twilight e apesar de saber que esta trilogia se trata de uma fanfiction dos livros de Stephenie Meyer julguei que me conseguiria distanciar tal como aconteceu com o primeiro. Infelizmente isso não é possível, as personagens são demasiado parecidas, as atitudes que tomam, as posições que assumem, os problemas que enfrentam acabam por nos transportar sistematicamente para o outro livro.
 
O melhor foi sem dúvida o início, o casal em Itália aproveitando maravilhosos dias de amor e prazer. Gabriel mostra-se aqui um amante apaixonado e preocupado com a satisfação da sua companheira. Julia começa a desabrochar para a vida e para o sexo.
 
Quando um acontecimento vem colocar em risco o futuro de Julia, Gabriel assume uma posição de proteção levada ao extremo e consegui prever desde o início o desfecho pois já o conhecia. Ainda assim a redenção de Gabriel após a sua separação de Julia é muito interessante. O caminho por ele trilhado apesar de torturante foi muito interessante de acompanhar e aqui Sylvain Reinard merece muitos pontos positivos, a jornada de Gabriel em Itália está muito bem construída e mostra a sua evolução de maneira sublime.
 
Os altos e baixos que passam, tornam-os bastante depressivos com a saudade e a separação abrupta e o tempo que estão separados e toda a dor que sentem e que espalham por quem os rodeia estão bastante bem descritos e mostram a maturidade dos seus sentimentos.
 
A personagem de Paul mostrou-se mais uma vez fraca, passa o tempo todo a gravitar à volta de Júlia mesmo sabendo que ela está apaixonada por outro homem e as suas atitudes são deprimentes. A grande vilã foi sem dúvida Christa o que já seria de esperar dadas as suas atitudes no livro anterior. A sua demanda é marcada pela mesquinhez, interesse e maldade deixando um rastro de destruição por onde passa. Felizmente desaparece a meio do livro mas não sem antes causar estragos quase irreversíveis no destino de Gabriel e Júlia.
 
Tenho de sublinhar mais uma vez a maneira maravilhosa como o autor escreve, sabe sem dúvida tecer as palavras criando passagem verdadeiramente assombrosas algumas primando pelo romantismo e outras pela sensualidade. Só tenho realmente pena que não se tenha distanciado mais da saga de Meyer levando-me constantemente a evocar os seus livros. Porém tal não é impeditivo de ler e adorar este até porque a nível literário O Êxtase de Gabriel é bastante superior principalmente com as suas evocações a obras clássicas de amor trágico.
Publicado em 27 Setembro 2013

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