O Herói das Eras - Crítica em Ler y Criticar

Se procurarem em sites credíveis pelas melhores sagas de fantasia de sempre, encontrarão sempre os grandes clássicos misturados com algumas mais recentes. A mais famosa é a inevitável Guerra dos Tronos, mas há sempre mais três que aparecem lá pelo meio, nas posições mais altas, sendo que dessas três, duas são de Brandon Sanderson. Esta é uma delas...

A saga Mistborn é uma das mais aclamadas dos últimos anos e logo no seu primeiro livro percebi porquê. Aliás, foi a minha leitura favorita do ano passado. Tornou-se num dos meus livros favoritos e o segundo livro, já lido este ano, veio confirmar a qualidade do autor. Agora o terceiro continua a manter a qualidade muito acima da média mesmo tendo em conta que se trata apenas de metade do livro original. Diria mesmo que este será o único ponto fraco do livro, pois ao estar dividido, recente-se por não ter uma conclusão. Todavia, é apenas uma questão de expectativas, pois a divisão do mesmo está feita no momento ideal. Quando este livro acaba a única coisa que irão querer é ter já o livro seguinte!

Sanderson volta a mostrar que é realmente um escritor especial. Neste último livro, o ritmo acelera em direção à conclusão da trilogia e a cada página sente-se a urgência das personagens. Sanderson, uma vez mais, faz uma exploração muito bem conseguida das personagens principais, construindo com suavidade a base que sustentará as decisões mais importantes. Neste livro o destaque vai, ao contrários dos dois livros anteriores, para Elend, que demonstra uma transformação na sua personalidade que certamente será marcante antes do fim da saga. Todavia, mesmo este destaque não é constante, pois o autor está a explorar várias personagens importantes dando-lhes peso que antes não tinham. Com isto a atenção do leitor está mais dispersa, não tão focada num único personagem. Esta estratégia é muito usada, principalmente em fantasia (começar os primeiros livros com um foco num grupo pequeno de personagens, e depois aumentar, também devido ao dispersar das personagens pelo mundo), e Sanderson usa-a com mestria para também desenvolver o mundo.

Todavia é o fantástico leque de personagens que me faz ligar facilmente a este enredo. As personagens são credíveis, o mundo tem uma coesão impressionante e nada parece fora do sítio. Outro aspeto realmente impressionante está na montagem do enredo. Sanderson oferece sempre os detalhes certos nos momentos certos. Somos levados, nos dois anteriores livros da saga, por um caminho que acreditamos ser enganador, só não percebemos onde. Neste acontece exatamente  mesmo. Sei que algo me está a falhar, mas não sei o quê.

Outro aspeto interessante está no acto de em cada livro o autor explorar um tipo diferente de magia, culminando neste livro na exploração do terceiro género de magia presente neste mundo e que começa a dar várias respostas, pois existem várias ligações que já podemos fazer com os livros anteriores e várias perguntas já têm resposta.

Com um excelente ritmo aliado a uma escrita cheia de objetividade, Sanderson prendeu-me, novamente, da primeira à última página, e agora apenas espero que as respostas apareçam no último livro. Parece-me óbvio que Sanderson prepara um grande final que irá ligar cada ponto dos três livros. Também me parece (e aqui devido a uma teoria que tenho desde o primeiro livro) que não será um final feliz, mas sim um final de sacrifício. Só espero que não demore muito até o saber.

Cada leitor tem o seu género favorito, e dentro do género há sempre um estilo ou um mundo, ou uma saga que mais aprecia. Mistborn tem atualmente em mim o efeito que O Senhor dos Anéis teve há quase vinte anos e que anos mais tarde Harry Potter também teve. É aquela necessidade de querer ler mais, de querer absorver tudo o que o autor criou. Resta-me esperar pelo seu final, onde farei uma análise mais profunda... para já, fantástico! Leiam esta saga!

Publicado em 12 Novembro 2015

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