O Império Final - Crítica em As Leituras do Fiacha

Mais um livro que me surpreendeu pela positiva e sério candidato a livro do ano, pelo menos a melhor descoberta de escritor a nível de literatura fantástica. Não são muitos os casos em que o início de uma saga / trilogia seja tão forte e marcante. Recordo-me apenas de alguns exemplos como A Glória dos Traidores de George Martin, As Mentiras de Locke Lamora de Scott Lynch ou mesmo Duna de Frank Herbert. Brandon Sanderson não foge à regra, apresentando um livro muito bom.

 É verdade que não exibe um universo muito diferente do que é habitual na fantasia, mas este escritor, sem dúvida, que sabe montar um enredo muito consistente, excelentemente preparado e muito bem desenvolvido, deixando-nos logo de início completamente viciados na sua leitura. Gostei da forma como nos transmite uma quantidade enorme de informação sobre várias vertentes do enredo, sem nunca ser descritivo, seguramente que não é fácil e Sanderson fê-lo com mestria.

A base do enredo até é simples e algo diferente do habitual. No passado houve uma profecia, na qual surgiu um herói, com uma herança misteriosa, que salvaria o mundo mas que falhou, originando que todo o mal do Senhor Soberano ascendesse ao poder, conservando-o de forma tirana e que graças aos seus poderes consegue anular de forma implacável todas as tentativas de rebelião ao longo dos anos. É neste contexto que surge, então, Kelsier como referido na sinopse:

"Kelsier foi outrora um famoso ladrão e um líder carismático no submundo. A experiência agonizante que atravessou tornou-o obcecado em derrubar o Senhor Soberano com um plano audacioso. Após reunir um grupo de elite, é então que descobre Vin, uma órfã skaa com talento para a magia dos metais e que vive nas ruas. Perante os incríveis poderes latentes de Vin, Kelsier começa a acreditar que talvez consiga cumprir os seus sonhos de transformar para sempre o Império Final…"

Outra das coisas de que gostei no livro foi a fantasia e a magia apresentada pelo escritor, A alomância, que consiste na capacidade de certas pessoas metabolizarem metais adquirindo certos poderes de acordo com o metal. Esta capacidade/magia encontra-se muito bem desenvolvida e torna-se numa mais valia em toda a obra.

Quanto às personagens, estas são muito cativantes. As duas principais, Kelsier e Vin, os narradores do livro, são, cada um à sua maneira, complexos e bem desenvolvidos. Mas as personagens secundárias são igualmente fascinantes, desde Dockson, Brisa, Ham, Marsh o misterioso e enigmático Sazed, um guardador de segredos e até mesmo o nobre Elen Venture, bem trabalhadas e que até ajudam e tiram, em parte, o foco dos protagonistas.

Há muito mais, sem dúvida, mas não quero estar aqui a descrever nada até para não fazer grandes spoilers, estamos no inicio da trilogia e apenas com este livro estou convencido, que entra direto para ser um dos meus escritores favoritos de fantasia e não só, a manter este nível então vai tornar-se um nome sério da literatura fantástica. Percebo agora porque foi o escolhido para acabar a saga A Roda do Tempo de Robert Jordan, sem dúvida que estamos na presença de um escritor muito talentoso.

A não perder, ansioso por continuar a ler mais sobre este magnifico universo.

Publicado em 19 Junho 2014

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