O Inferno de Gabriel - Crítica no blogue Derivados Literários

A princípio, também eu estava um bocado com o pé atrás. Sobretudo pelo facto de ter ouvido falar que este livro tinha antes sido, tal como Cinquenta Sombras de Grey, uma fanfiction de Twilight. E devido a esse pormenor, decidi deixar de lado a possibilidade de o vir a comprar e posteriormente ler. Esse foi o meu tremendo erro. Agora, tendo terminado de ler este dito livro, posso dizer que me sinto grato por Sylvain Reynard o ter escrito e o ter dado a conhecer ao público da forma mais abrangente possível.
Apesar das críticas que este sofreu devido ao facto de ter sido publicado como livro propriamente dito tendo em conta o seu passado como fanfiction, O Inferno de Gabriel não pode nem deve ser comparado ao Cinquenta Sombras de Grey. Penso que qualquer leitor deveria dar uma oportunidade ao livro antes de saltar para conclusões precipitadas.
Comecemos por apresentar as personagens. Julianne Mitchell é uma aluna de mestrado da universidade de Toronto a fazer uma especialização em Dante. Mas o que Julia não estava à espera era de ter um professor com uma personalidade irascível, diga-se, como Gabriel Emerson. Embora estas duas personagens inicialmente não se consigam suportar, um acontecimento inesperado acaba por estabelecer entre ambos uma ligação que lhes é comum: a morte de Grace.
Gostei particularmente também de o autor abordar a obra de Dante ao longo de todo o livro e de citar várias frases pertencentes à mesma. Conseguiu despertar-me um interesse tal que fez com que eu fosse pesquisar na internet mais sobre Dante e a sua vida entre várias paragens que fazia entre a leitura.
Apesar de vários momentos de convívio com o professor Emerson, Julia sentia que havia algo de familiar naquele homem de temperamento volátil. E só após o reencontro com Rachel Clark, sua amiga desde o secundário, é que associou que o professor Gabriel Emerson era o mesmo Gabriel pelo qual se apaixonara quando tivera 17 anos e este a beijara pela primeira vez num pomar que ficava nas traseiras da casa dos Clarks.
A única coisa que vou criticar, e nada tem que ver com a estrutura ou com a história em si, seria a personagem Gabriel Owen Emerson, que demorou imenso tempo até compreender que Julia era a sua Beatriz. Também estava sob efeito de bebida na altura, portanto não há muito por onde pegar.
O livro todo é uma lufada de ar fresco depois de se ler algo como Cinquenta Sombras de Grey, sem dúvida nenhuma. É um livro arrebatador, com cenas de cortar a respiração e um amor equivalente ao de Dante pela sua Beatriz.
As Cinquenta Sombras de Grey souberam a pouco, perguntam vocês? Meus caros, se souberam. O Inferno de Gabriel é capaz de tomar o lugar em que se encontra esse dito livro e atribuir todo o tipo de sensações que a obra de E.L. James nunca conseguiu, mesmo que não seja tão explícito nas cenas eróticas (tanto que a única que penso ser existente em todo o livro localiza-se nas páginas finais). Aconselho vivamente.

Publicado em 25 Junho 2013

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