O Inferno de Gabriel - Crítica no Efeito dos Livros

Sabem quando gostam tanto de um livro que não possuem palavras que consigam expressar o que vos vai na cabeça?
Eu estou assim com O Inferno de Gabriel. 
Não sei o que dizer, não quero falar do livro com ninguém para que não me estraguem a aura com que terminei a leitura.
Será isto uma forma de Ressaca de Livros?

Numa semana em que estive doente e cheia de trabalho, consegui arranjar tempo para ler uma média de 150 páginas por dia. Como? Acho que estou a dever horas de sono ao meu corpo mas a minha mente agradece-me, do fundo da sua fraqueza, a oportunidade de ter conhecido esta história.
O que nos é apresentado na sinopse não faz jus à história que encontrei e na qual me viciei logo nas primeiras páginas.
Dizem que esperar muito tempo por algo faz com que a expectativa aumente ou a indiferença se instale. As minhas expectativas eram boas mas não extremamente altas e à medida que consumi as primeiras 50 páginas sabia que este rapidamente se tornaria um dos meus livros preferidos do género. Questão é, que género? O Inferno de Gabriel é erótico, sem dúvida, mas foge ao facilitismo de nos presentar com uma cena de sexo a cada 20 ou 30 páginas, concentrando-se antes nas personagens, no que as atormenta, no que as trouxe até ao sítio onde estão hoje e à relação que floresce entre Julia e Gabriel, uma ligação proibida pela sua condição de aluna/professor, pela diferença de idades, pelo passado conturbado de ambos e pelo desejo de um futuro que ambos acreditam não serem merecedores.
 
Explicar uma das razões que me fez gostar mais deste livro do que outros do género, até aquele com que é comparado (50 sombras) é com toda a certeza fornecer spoilers mas convenhamos, já se disseram coisas mais reveladoras por essa internet fora e estando os 3 livros publicados, acho que não tem mal nenhum deixar a minha opinião com este extra.
Gostei deste livro por uma razão que algumas pessoas até podem achar estranho dado a minha preferência por este género mas o que mais gostei foi o facto de existir apenas uma cena de sexo e o que me cativou mais foi a aproximação entre Gabriel e Julia, a confiança que tentam ganhar um no outro através da partilha do seu tempo, dos seus pensamentos e dos segredos do passado que atormentam o presente e condicionam o futuro.
Acho que o mais brilhante foi mesmo a relação e a linguagem partilhada entre ambos, tão rica e cheia de referências.
Este livro conseguiu arrancar-me diversos arrepios e criou em mim uma enorme empatia por ambos os personagens, especialmente Gabriel. A explicação, essa não a posso dar aqui, é demasiado pessoal e nada tem a ver com a descrição física do personagem, que deixem que vos diga, me lembra o David Gandy, pelo menos é este o aspecto que o Professor Gabriel tem na minha cabeça.
Talvez esta seja uma das piores críticas que já escrevi neste blog mas é talvez uma das mais difíceis porque me apetece manter para mim o que me vai no pensamento, tanto que nunca li nenhuma crítica ao livro, nem à trilogia. Honestamente, fujo de qualquer comentário ou opinião.
Acho que só vou ser capaz de ler opiniões quando terminar os três livros.
 
No entanto não podia deixar de salientar a maravilhosa escrita de Sylvain, que é sedutora e cativante e que nos faz imaginar detalhadamente as cenas na nossa cabeça.
Detalhada é igualmente a pesquisa e presença de Dante e a sua obra ao longo de todo o livro. Sou ignorante neste tema, confesso mas despertou-me uma enorme curiosidade, além de uma crescente vontade de me enfiar no primeiro avião com destino a Florença. Se eu já tinha esse desejo, ele apenas aumentou com a leitura de O Inferno de Gabriel.
 
Tenho na estante A Divina Comédia - O Inferno (versão Europa-América) e sinto-me tentada a ler e descobrir por mim própria uma grande obra literária, um grande poeta e novos conhecimentos, que pode adicionar a alguma informação que adquiri com os seminários do Professor Emerson. :P

Tenho igualmente na estante o Êxtase de Gabriel :) Ah uma falha que encontrei no livro, onde está o meu cliffhanger? Aquele momento em que quando tudo parece bem, vem a tempestade semear o tumulto abruptamente interrompido pelo fim do livro. Eu quero ler a trilogia completa mas a autora podia ter deixado ali o leitor a salivar por mais, mais Gabriel, mais Julia, mais intimidade, mais problemas, mais "oh meus deuses escritores, o que será que vai acontecer agora?!
Publicado em 19 Fevereiro 2014

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