O Livro dos Mosquetes - Crítica na revista Yvi

É um livro de contrastes. Aborda as diferenças culturais entre o ocidente e o oriente, duas formas de vida profundamente opostas em todos os sentidos, descrita através da chegada ficcionada dos primeiros portugueses à solo japonês e as relações comerciais que encetam a partir desse encontro fortuito. É também o relato pessoal de João Boavida que decide documentar a descoberta de uma civilização que considera muito distante da sua realidade, mas que o fascina constantemente. Os portugueses e os japoneses são dois povos completamente díspares e isso fica expresso neste romance histórico. O mais curioso é que podem até ter passado vários séculos sob esse achamento mútuo, mas considero que a escrita de Emílio Miranda ajuda-nos a compreender melhor uma cultura milenar cujos valores sociais e morais ainda nos causam uma certa estranheza até nos dias de hoje. O livro é uma janela ficcionada, é certo, mas o autor procurou documentar-se sobre os hábitos do povo nipónico e isso nota-se na leitura, apreciei sobretudo, a intenção de mostrar não só como os portugueses viam os japoneses, como também, o outro lado do espelho, o que os japoneses pensavam sobre os portugueses. A descrição do quotidiano das aldeias nipónicas, as suas crenças e a forma como a sociedade era estratifica ajuda-nos a compreender um pouco mais esta cultura oriental. Emílio Miranda tem uma escrita limpa, enxuta, sem demasiados floreados, mas que prende o leitor pela forma como estrutura uma história que quase parece real, é o diário de um ocidental em terras orientais. Boa leitura.

Publicado em 28 Dezembro 2012

Arquivo

2018

2017

2016

Visite-nos em:

Revista Bang Instagram Nora Roberts facebook youtube
Amplitude Net - e-Business