O Mago - A Serva do Império - Crítica no Bela Lugosi is Dead

Em O Mago – A Serva do Império, Raumond E. Feist e Janny Wurts seguem as aventuras de Mara dos Acoma. Depois de o leitor ter visto esta personagem passar da juventude para a maturidade e de ter ficado surpreendido pelas suas tácitas governativas em O Mago – A Filha do Império, chega agora a vez de confirmar a inteligência desta governante e de provar que os acontecimentos passados não foram fruto do acaso.
Mais uma vez, Mara tem de lutar pela sua sobrevivência e pela honra da sua família. Os acontecimentos passados aumentaram-lhe o número de inimigos, homens poderosos que deixaram de a ver como uma jovem incapaz e que agora guardam um ódio crescente à senhora do Acoma. Neste campo, surgem mais estratagemas. Desta vez sendo possível observar as preparações dos dois lados, o que deixa antever diversas possibilidades e sentir um crescente sentimento de temor no leitor.
Para tornar tudo ainda mais difícil, Mara vê-se ainda perante uma situação que a faz colocar em causa muitos dos princípios pelos quais sempre se regeu. Encantada por um escravo, irá finalmente descobrir a dimensão da sua sexualidade ao mesmo tempo que se sente incomodada por novas questões que chocam contra tudo o que crê. Neste campo, é com curiosidade que se assiste a um verdadeiro confronto de culturas. Kevin é o agente que provoca esta interessante reflexão. Escravo com um passado de maior relevância do que faz querer parecer e proveniente numa cultura baseada no ocidente medieval, ele vai questionar alguns dos mais importantes pilares desta sociedade inspirada na cultura oriental.
Se no volume anterior os autores encantaram com uma intriga surpreendente repleta de reviravoltas, agora apostam mais no conflito interno das personagens mais relevantes. A influência de Kevin, apesar de conscientemente negada, acaba por afetar importantes decisões e dar à narrativa um rumo mais próximo de valores com os quais o leitor sente maior ligação.
As circunstâncias em que Mara se encontra fazem com que evolua num novo sentido. É com curiosidade que vemos o seu lado mais humano a ser revelado em circunstâncias mais públicas, quando anteriormente escolhia usar uma máscara política. Apesar de Kevin ser uma novidade, a verdade é que também se torna numa das figuras mais cativantes. Isto pode acontecer pela sua diferença cultural e pelas suas atitudes menos controladas.
Apesar de ser uma obra de grande valor, existem momentos mais complexos ou enfadonhos que podem causar alguma confusão ou ainda aborrecimento. Saliento as discussões táticas e as notícias sobre avanços de inimigos. A parecença entre alguns nomes ajuda nesta estranheza que surge em diversas situações. A narrativa termina ainda com um erro que pode baralhar os mais distraídos, já que a última página surge com a mensagem de que a trama “Continua no segundo volume”, quando este, na verdade é o segundo volume.
Os acontecimentos finais são entusiasmantes e apresentam pormenores deliciosos, deixando adivinhar que o terceiro volume da Saga do Império não irá desiludir. A Serva do Império é, assim, um livro que vai prender os leitores que ficaram cativados com o mundo e as intrigas de Kelewan.

Publicado em 2 Janeiro 2014

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