O Mago - Aprendiz - Crítica no blogue D´Magia

O sugestivo título desta obra obrigou-me a adquiri-la sem relutância. Magia é área que eu gosto no que toca a literatura, e quando surge uma oportunidade para me debruçar sobre este tipo de fantasia faço-o automaticamente. No entanto, este livro, a meu ver, pecou por não demonstrar tanto dessa vertente quanto eu gostaria. Dadas as minhas fortes expectativas, esperava algo mais incidente neste tópico. No entanto, é este o único aspecto negativo que se ressalva. Porque para além disso, tudo o resto se enquadra numa qualidade e consistência magistralmente admiráveis.
Referindo primeiramente o enredo, temos um imponente reino em que impera a paz e a tranquilidade. Nele vive um conjunto de personagens que coabitam em harmonia. Até que, inesperadamente, se desencadeia um acontecimento, muito mais temível que aquilo que aparenta ser. A partir daqui, gera-se a trama que nos guiará por cenários esplêndidos e caóticos, por tempos remotos e até ao desconhecido, numa batalha constante que irá por em causa a segurança que outrora este povo conheceu.
Feist enraizou neste primeiro volume uma diversa e esplêndida cultura. Os povos e costumes que acompanham esta jornada são encantadores, misteriosos, adensando uma história que de si já é largamente promissora. Facilmente somos transportados tanto para um paraíso acolhedor como para uma profunda escaramuça, através de um detalhe imenso que nos permite conhecer tais locais como se, de facto, existissem diante de nós. Este detalhe é uma característica que, para uns, poderá ser excessiva, mas que a meu ver só permite envolvermo-nos melhor com a acção descrita. Os acontecimentos são, assim, retratados e vividos intensamente.
É também importante referir que a narração é imprevisível. Nunca se espera pelo ocorrer do inesperado, nem mesmo quando as circunstâncias o obrigam.
Mas, sem dúvida, o que se sobressalta no encalço de muitos admiráveis atributos é a singularidade das personagens que nos são apresentadas. Inicialmente, conhecemos Pug, o rapaz sobre o qual, supostamente, a acção se centraria. Isto pois ao longo do livro deparamo-nos com muitas outras personagens, cada uma com as suas próprias características mas quase com a mesma relevância. Quase todas elas são detalhadas, ressalvando as suas características mais profundas, o que permite uma maior intimidade do leitor com as mesmas. E por isso mesmo, penso que não existe uma personagem que se destaque. Todas elas revelam um enorme fascínio, à sua própria maneira. Ora, Pug é aquela personagem introdutória, aquela que envolve os mistérios iniciais. É claro que desejamos conhecê-la ao início, mas à medida que se deparam as novas figuras da trama é impossível não desenvolver igual fascínio. Feist não perde nenhuma personagem pelo caminho, retomando de quando em vez o seu rumo, um aspecto admirável.
O companheiro de Pug, Tomas, é igualmente afável. Fervilhando sonhos e traçando o seu futuro, e apesar de enveredar por um caminho diferente de o de Pug, partilha com ele longas horas proporcionado divertidos momentos mesmo quando o temor ameaça cair sobre o reino de Crydee. E para além destes heróis, há ainda muitas outras maravilhosas personagens, que conservam em si uma descoberta de enorme prazer.
Quanto à escrita, esta pode considerar-se consistente e polida. Não é muita leitura tão fluente quanto outras do género, pois é necessário assimilar o conteúdo das palavras e o modo como se distribuem. É, ainda assim, bastante agradável.
Com o incerto término desta obra, apenas anseio pelo próximo volume. O que irá acontecer a Crydee e aos seus habitantes? Qual o destino que lhes está reservado? Irá o povo ter força suficiente para extinguir a batalha das suas barreiras? Muitas são as questões que merecem resposta, e muitos são os enigmas que pairam neste mundo. Tenho a certeza que esta forte história ainda tem muito para revelar.
No âmago de tamanha fantasia, emoção e surpresa, O Mago é um enlace de crescente magnitude. Um mundo de riquíssimas personagens e conhecimento, que é inegavelmente uma leitura a seguir de perto.

Publicado em 16 Maio 2012

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