O manual imperativo para quem quer saber tudo sobre vinho.

“Como é que, de repente, o vinho virou moda?” Ora aqui está o mote para dar início a uma leitura fluída sobre tão apreciada bebida e a palavra-chave para falar sobre esta matéria ou não fosse o vocábulo “moda” mui proferido pelas mulheres que, cada vez mais, querem ter “O Vinho na Ponta da Língua”.

Desengane-se, porém, que este é um livro dirigido, apenas, ao universo feminino, pois a curiosidade e a falta de informação acerca do vinho é transversal em género e idade. Portanto, Maria João de Almeida, jornalista e crítica de vinhos desde 1995 e membro da Confraria do Vinho do Porto, pegou na erudição que ostenta a respeito do legado de Baco e escreveu este livro sobre “Tudo o que precisa de saber sobre o vinho”, como dita o subtítulo do mesmo.

Voltemos à palavra “moda”. Com efeito, e com o tempo, o legado de Baco aprimorou-se no nosso país, alcançou qualidade e tornou-se mais elegante, atributos que podemos – ora vamos lá nós de novo – restituir às mulheres. Porém, não nos esqueçamos que, também com o tempo, até mesmo os homens se renderam a tão requintadas virtudes no vinho. E há que provar, provar muito, tal como insiste a autora, para entrar neste mundo. Para tal, Maria João de Almeida deixa sugestões no livro, dá concelhos sobre a relação qualidade/preço e até dedica um momento aos mais avarentos.

Depois há que deixar-se levar pelas palavras e pelas sugestões a respeito do vinho no restaurante, como “(…) porque não escolher a refeição em função do vinho (…)?” E vai mais longe, explicando, sem floreados, os defeitos mais comuns e perceptíveis nesta bebida. Mas as recomendações estendem-se até ao jantar de amigos em casa. Já agora: Decantar ou não? Eis a questão. a autora esclarece dúvidas pertinentes sobre esta matéria, da qual destacamos uma infografia bem esquematizada e, claro, as cartoons de Cristina Sampaio.

Os copos são outro dos assuntos puxados para cima da mesa, pois é fundamental servir cada tipo de vinho nos copos adequados, assim como treinar a visão no que toca à paleta de cores, do olfacto e do paladar. Prontos para explorar o vocabulário?

Avancemos na matéria, desta vez para conhecer os utensílios. Preparados? Há saca-rolhas – com uma história imperativa –, o corta-cápsulas, o anti-gostas – com outra estória para ler –, o decantador, o balde de gelo e/ou a manga de gelo, a bomba de vácuo e a concelhos sobre como manter as caves climatizadas, até porque a maioria das nossas casas não estão preparadas para conservar o vinho em condições apropriadas.

Façamos o brinde – ou deixemo-lo para o fim – com champanhe, o espumante, entre outros inspirados na produção do de origem francesa, seguido do Vinho do Porto, do Vinho da Madeira e dos moscatéis, com uma pitada de história, para se render à leitura enquanto bebe um bom vinho, porque não?

Antes de terminar, Maria João de Almeida escreveu sobre a harmonização, assunto que está na ordem do dia, pois o legado de Baco requer, na maioria dos momentos, de uma boa companhia, à mesa, sem descurar as viagens que incitam à descoberta de recantos de encanto de norte a sul de Portugal.

No último capítulo, a autora fez o registo de castas portuguesas e estrangeiras com exemplos de referências e uma lista exaustiva onde constam os mais diversos vinhos “para jantar em casa com os amigos” e até “para casar o pessoal”, “os bons e baratos”, entre muitos outros, além de espumantes, Vinho do Porto, Vinho da Madeira e moscatéis “do caraças”.

Para terminar, e agora em relação à apresentação do livro, que aconteceu ontem, dia 28 de Outubro, no Torreão Nascente do Terreiro do Paço, em Lisboa, ser jornalista “é uma profissão óptima, porque é a única em que se pode beber em serviço!” Agora, sim, brindemos!

Publicado em 11 Novembro 2016

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