O Pirata do Rei na Terra do Sol - Crítica em As Leituras do Corvo

Apesar de subordinada ao reino, São Sebastião é uma terra com regras particulares, onde os negócios de poucos produzem grandes benefícios enquanto que os restantes sobrevivem com a luta de cada dia. Mas, enquanto se fazem os últimos preparativos para a celebração de uma vitória passada, uma nova ameaça surge para perturbar a paz. Escondida pelo nevoeiro, uma frota de barcos franceses prepara-se para tomar a cidade. E poucos são os meios - e menos ainda a coragem - para os combater. Liderados por René Duguay-Trouin, os franceses esperam uma grande vitória e um resgate satisfatório. O que não esperam é que os piores inimigos da cidade que vêm invadir estejam na elite dessa mesma cidade.

Centrado num acontecimento histórico, mas, acima de tudo, no contexto em que este decorre, este é um livro que cativa, em primeiro lugar, pela conjugação entre uma vasta quantidade de informação e uma narrativa que, sem ser de leitura compulsiva, se revela, ainda assim, bastante cativante. Para isso, contribuem os capítulos curtos, que fazem com que a forte componente descritiva seja apresentada ao leitor de forma gradual, mas também a escrita fluída e agradável que apresenta todos os detalhes sem os tornar demasiado intrincados.

Outro aspecto interessante é que, apesar das várias figuras relevantes, não há propriamente uma personagem que se destaque, mas antes um conjunto de personalidades que, mais ou menos caricatas, dão um rosto aos acontecimentos, ao mesmo tempo que servem de exemplo na contextualização dos problemas existentes. Ora, por um lado, isto cria uma certa distância, já que nenhuma das personagens desperta especial empatia. Mas, por outro lado, abre caminho a uma perspectiva mais vasta, o que é particularmente interessante tendo em conta que, independentemente do cenário e da época, há problemas na vida dos habitantes de São Sebastião que facilmente podem ser transpostos para a actualidade.

Importa referir ainda que, apesar de ser a invasão da cidade o acontecimento central, há ainda, para cada personagem, uma história pessoal. Mais ou menos discretas, mas sempre interessantes, também as peculiaridades dos episódios associados a cada uma das personagens contribuem para reforçar a envolvência do enredo, mesmo que, nalguns casos, fiquem perguntas sem resposta.

Trata-se, pois, de um livro cativante, em que um grande acontecimento serve de base para uma bastante precisa análise de vários problemas sociais, feita sempre num tom agradável, mas sem minimizar as questões pertinentes. Uma boa leitura, portanto, e uma boa surpresa.

Publicado em 23 Fevereiro 2015

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