O Prestígio - Crítica em Leituras do Fiacha

Dois mágicos, no final do século XIX / início do século XX, criam um mundo de ilusão e de magia, cujo epicentro se localiza num truque que ambos desenvolvem, de formas diferentes, mas que lhes suscita a rivalidade angustiante entre ambos, uma disputa trágica que terminará por afectar as gerações futuras.
 
Nenhum mágico revela os segredos de outro mágico. Este código de conduta no mundo do ilusionismo, é a fronteira fragilizada que separa Alfred Borden de Rupert Angier . 
 
Escrito de uma forma extremamente cativante e com uma linguagem simples, o livro desenvolve-se em várias partes, dando-nos a conhecer a história de vida e as implicações destes dois ilusionistas até aos dias de hoje. Através dos seus diários, assistimos ao desenvolvimento das suas carreiras, a escalada no mundo do espectáculo, as suas ambições e decepções até se tornarem ilusionistas mundialmente famosos.
 
Na primeira parte, Andrew Westley, um jovem jornalista é chamado a fazer a cobertura de um caso estranho. Adoptado e sem conhecer os seus pais biológicos, ele é surpreendido por um diário do seu, desconhecido, bisavô Alfred Borden que lhe é entregue pela bisneta de Rupert Angier.
 
Longe de imaginar o que este diário lhe irá revelar, Andrew descobre os grandes segredos do ilusionismo e dos triunfos do um mundo, onde as novas tecnologias e descobertas científicas, do inicio dos século XX, deixam marcas difíceis de esquecer.
 
Na segunda parte, o diário de Alfred Borden, dá a conhecer o homem , o mágico, a sua obsessão ao mesmo tempo que a sua admiração pelo rival e finalmente o seu número mais ousado.
 
A bisneta de Angier apresenta-nos, numa terceira parte, a investigação que tem feito no sentido de perceber o que está por detrás desta contenda que afecta a vida presente dos dois descendentes. O que realmente se passou e o que realmente ainda se passa…
 
O diário meticuloso de Rupert Angier, revela-nos, na quarta parte do livro, o homem que procura no sobrenatural, a explicação real dos seus truques, das suas ilusões e na ciência a procura do inexplicável.
 
E no final, uma última parte em que o mistério é desvendado, em que o pano cai e deixa que observemos os truques bem de perto, tão de perto que tal como um mágico encobre os segredos de outros mágicos, também eu não posso revelar os segredos escondidos e bem guardados por Christopher Priest até às ultimas páginas. 
 
O livro, bem como os truques de um ilusionista, passa por três estágios: o primeiro, a proposta, em que somos confrontados com a apresentação do acontecimento, com a realidade dos factos, o segundo a performance, isto é o acontecimento em si, a ilusão, aquilo que o autor ou o mágico quer que vejamos, em que nós leitores somos como que “empurrados” para ver o acontecimento de determinada forma ( a cartola do mágico que nada tem lá dentro) e o efeito final (o coelho que sai da cartola, onde nada existia), onde somos surpreendidos até ao último paragrafo.
 
Ambos os ilusionistas desenvolvem um número que parece desafiar todas as leis da física, na ideia de se suplantarem um ao outro. No entanto nada do que parece é, neste livro que desafia os nossos sentidos, como um verdadeiro truque de magia.
 
Borden consegue-se “auto transportar” em fracção de segundos, entrando num armário numa ponta do palco e saindo noutro situado na extremidade oposta do palco, O Homem Transportado. Angier sem conseguir desvendar o segredo de Borden, tenta superá-lo com a ajuda de um cientista, meio louco. Nikola Tesla , e apresenta “Num Relâmpago”, um número que conta com a utilização de um aparelho, desenvolvido por Tesla, e que é capaz de transportar um ser de um local para outro, mas com um surpreendente efeito colateral….
 
Um livro excelente, em todos os aspectos, que recebeu o James Tait Black Memorial Prize de melhor ficção, e o World Fantasy Award de melhor livro. 
 
É uma pena que ele esteja colocado, com tão pouca “importância” nos escaparates das livrarias, pois acaba por não causar um impacto que bem merecia.
 
Por favor, peguem e leiam-no, porque vão ficar alegremente surpreendidos. Obrigado a todos os que me aconselharam a sua leitura.
Publicado em 14 Julho 2014

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