O Príncipe Herdeiro - Crítica no blogue As Leituras do Corvo

Durante anos, os príncipes Borric e Erland receberam uma educação bastante mais liberal do que seria de esperar tendo em conta a natureza severa e taciturna do seu pai, Arutha, Príncipe de Krondor. Mas, agora que é certo que o rei Lyam não terá filhos e que um dia será Borric o rei, Arutha sabe que as pequenas loucuras e transgressões dos príncipes não podem continuar a ser toleradas. Por isso, quando chega um convite para assistir ao jubileu da Imperatriz de Kesh - convite que seria insultuoso recusar - Arutha decide enviar os seus filhos. Mas há forças que se movem nas sombras do Império e Borric e Erland encontrar-se-ão numa aventura bastante mais complexa do que esperavam.
Um dos aspectos mais interessantes deste livro é a forma como o autor conjuga um núcleo de personagens já familiares dos livros anteriores com todo um conjunto de novos e cativantes elementos. Grande parte da acção decorre em Kesh, e as características do Império são em muito diferentes das que definem o Reino das Ilhas. Assim, há desde logo um interessante contraste a nível de cenários e de costumes, que se estende também ao comportamento das personagens e à forma como estas vêem algumas das situações que vivem. Além disso, o enredo decorre vinte anos depois dos dos livros anteriores. Isto permite, desde logo, ver as mudanças operadas pelo tempo sobre as figuras já conhecidas dos outros volumes. Alguns permanecem fiéis ao seu temperamento e natureza (sendo Arutha, com a sua presença discreta, mas sempre relevante, o máximo exemplo destes casos), enquanto que noutros se revela uma imensa mudança, sobressaindo aqui, como não podia deixar de ser, o Barão James, anteriormente conhecido como Jimmy Mãozinhas.
Também comum aos livros anteriores é o ritmo pausado, com uma considerável componente descritiva, que caracteriza a narrativa. Sendo Kesh um cenário completamente diferente, o autor demora-se a apresentar lugares, cargos e costumes, o que faz com que o enredo evolua de forma um pouco lenta, mas sem nunca perder a envolvência. Aliás, a caracterização precisa e detalhada do ambiente contribui também para que, ante as complexidades do mundo apresentado, as personagens que o habitam revelem também o que têm de mais interessante.
Ainda que extensas e detalhadas, as descrições não se sobrepõem à acção e ao mistério que caracterizam também o enredo deste livro. As conspirações e intrigas ocultas nas celebrações do jubileu, a situação delicada dos representantes das Ilhas e a sua investigação do que estará a suceder e ainda o papel de Borric e Erland no que está a suceder em Kesh, com todas as tribulações e dificuldades associadas a esta situação, estão na base de uma história rica em momentos intensos, situações inesperadas e, quando a história ameaça tornar-se demasiado séria, ocasionais momentos de um humor refrescante.
Trata-se, portanto, uma história envolvente, com um conjunto de personagens carismáticas e com as quais é fácil simpatizar e um enredo com as medidas certas de intriga e acção num cenário novo e caracterizado com todo o pormenor. Uma nova incursão num mundo com muito de interessante e, portanto, uma leitura que não desilude. Muito bom.

Publicado em 11 Julho 2012

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