O Prisioneiro da Árvore - Crítica em Eu e o Bam

Ter o último volume de As Brumas de Avalon nas mãos provocou-me sentimentos díspares... Por um lado, estava ansiosa por ler, mas por outro, era o último livro, e depois disto, a história acabava-se. Foi um misto de entusiasmo e tristeza que me acompanharam ao longo das páginas de O Prisioneiro da Árvore, leitura tão aguardada.

A história é, naturalmente, o culminar da guerra entre cristãos e pagãos, personificada em Artur e Morgaine. Claro que dizer apenas isto é pouco, pois Marion Zimmer Bradley é mágica com as palavras... E o desenrolar de alguns acontecimentos é simplesmente delicioso de ler. Apesar de a história terminar de maneira algo triste, tinha de ser assim. Não havia outra forma. Aliás, em toda esta última parte sente-se um peso maior em todas as personagens, que chegam ao fim das suas histórias, das suas lutas, e valem-se de tudo para prevalecer. Estão mais velhas e mais completas, mas falta-lhes talvez um pouco de vigor.
E sim, Morgaine continua perfeita. Quase... a velhice não lhe assenta. A velhice em todos eles foi-me algo difícil de imaginar, tamanha sucessão de acontecimentos, mas ela está latente a cada página que passa, com tudo cada vez mais perto da conclusão e do esquecimento. Artur revelou-se uma verdadeira desilusão, apesar de ser uma personagem fantástica, mas parte de mim sempre desejou que voltasse atrás. Maior parte das personagens espelham-se nessa mesma desilusão, pois todos voltam a cair nos mesmos erros, cometem novos, ficam mais pequenos... Mas continuamos a gostar deles. Menos, claro, de Gwenhwyfar.
Confesso que O Prisioneiro da Árvore foi o livro que menos gostei da série, devido ao declínio das personagens e do rumo tomado. Isto não faz deste último volume um mau livro, muito longe disso. Apenas não tem o ímpeto dos restantes, pois... tudo caminha para um fim.

As Brumas de Avalon é uma saga fantástica. O mito arturiano visto de uma perspectiva feminina, com uma protagonista memorável e que nos toca e emociona. O mito, escrito e re-escrito dezenas de vezes, ganha uma nova magia nas mãos de Marion Zimmer Bradley, maga das palavras. Toda a saga podia ser bem diferente, pouco marcante, apenas mais uma, mas a sua autora torna-a única e eterna.

Uma opinião pequena a um livro tão grande, com uma saga ainda maior por trás. Há muito tempo que uma série não me marcava tanto, não me dizia tanto, e certamente que As Brumas de Avalon permanecerão sempre comigo, e daqui a uns tempos irei reler todos os livros, com uma certa nostalgia e um prazer enorme.

Leiam toda a saga. Não percam tempo. As Brumas de Avalon é um marco na literatura, e por algum motivo. Leiam e descubram, e não se arrependerão.

Publicado em 9 Setembro 2014

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