O Prisioneiro da Árvore - Crítica no blogue Bela Lugosi is Dead

Eis que chega a conclusão de uma das obras mais aclamadas da literatura fantástica. Narrado pela voz das mulheres que compõe a lenda arturiana, O Prisioneiro da Árvore apresenta o que o destino reservou a todas as personagens que o leitor tem vindo a acompanhar desde o início.

Depois de passar anos a assistir à cristianização das terras que outrora adoravam a deusa, a amadurecida Morgaine acusa o seu irmão, o Rei Arthur, de faltar às suas promessas para com Avalon. Determinada a repor a ordem, a sacerdotisa utiliza aqueles que mais ama ao serviço da deusa, mas depressa vai perceber que estas ações podem trazer consequências muito graves. Morgaine invoca o poder da deusa para fazer com que os cavaleiros da Távola Redonda partam em busca do cálice sagrado, o que deixa Arthur só e desprotegido, tendo como único companheiro o matreiro Mordred, o filho que nasceu da relação de Morgaine e Arthur enquanto eles representavam o papel de deusa e Rei Veado.

O trono de Arthur está em risco, a fé na deusa parece desaparecer e todos os esforços de Morgaine para preservar o equilíbrio parecem ter sido em vão. Perto do fim da sua vida, a sacerdotisa em declínio questiona o seu percurso e desespera por respostas. Ao mesmo tempo, são várias as personagens que sucumbem às artimanhas, guerras e doenças, o que realça a enfermidade da vida e leva o leitor a pensar na importância dos atos humanos.

Tal como os volumes anteriores, este é também um livro que aborda um tema pelo ponto de vista das mulheres até então considerado masculino. Assim, o leitor continua a assistir à forma como uma esposa, sacerdotisa e sábia conseguem fazer prevalecer os seus intuitos, mesmo quando os homens acreditam que estas não têm um papel relevante na sociedade. Este fator torna As Brumas de Avalon uma trama que toca principalmente o público feminino, até pela abordagem de temas muito reais e que ainda hoje causam polémica, tais como o aborto e a infidelidade.

A componente religiosa ganha uma maior força neste volume. O ódio pelas fés diferentes é cada vez maior e leva à tomada de ações condenáveis. Contudo, a conclusão da autora é refrescante e bastante pertinente, num apelo à compreensão mútua e à aceitação da diferença. Uma lição que não perde o seu valor no tempo presente.

O desfecho das personagens pode não ser o mais feliz, mas Marion Zimmer Bradley demonstrou, desde o início que não era esse o seu intuito. O leitor, que acompanhou muitas destas figuras desde a infância, assistiu à forma como estas evoluíram e, agora, como terminam a sua vida. Este fator dá um caráter mais real à obra e demonstra como cada um conseguiu alcançar a paz ou como cada um acabou por sucumbir ao que construiu durante o seu percurso.

Apesar de ser um volume com momentos mais parados, concentrados na meditação de certos temas, O Prisioneiro da Árvore apresenta uma conclusão que satisfaz o leitor por ir ao encontro de tudo o que até então foi construído.

Livro repleto de assuntos fortes, é, sem dúvida um marco importante da literatura que deve ser lido e relido.

Publicado em 18 Janeiro 2013

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